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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Clarice na tarde


CLARICE debruçada sobre as linhas coloridas de seu bordado, solta voz pensando alto:
Ah! Vontade que me deu nesta tarde de voar pela janela mais alta de minha torre e planar feito águia, dona do tempo, do espaço e do futuro. Planar silenciosa e imóvel sobre as nuvens, sobre o mar, sobre mim mesma. 
Voar sobre a cidade perdida que sou em tardes como esta.
Voar sobre mim mesma e me ver...lá de cima, desprezar minha pequenez e covardia...e de lá, ver meus versos, tortos sem rima e perdidos de mim e dos sonhos que carreguei até aqui...nesta tarde fria e sem janela alguma pra deixar a brisa entrar pra me ver assim...empurrando a tarde pra que se vá depressa...do dia, de mim... antes que a janela mais alta de minha torre me alcance, me tome nos braços e me atire feito flecha perdida sem rumo...nessa tarde sem fim...