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domingo, 31 de julho de 2011

Poucas, nenhuma palavras

Foto Suê 20101 - Gordes -Fr.
Calou-se enigmaticamente. Fechou as gavetas repletas de palavras, risos e pensamentos. Procurou o mais distante de seus aposentos e deitou a cabeça cansada dos escritos esquizofrênicos que se pretendem poéticos... no braço do enorme sofá... pequeno para o corpo que se espalhava na procura de espaços vazios para acomodar o descanso necessário, merecido, premiado...Voltava da jornada exaustiva e árdua a que se propora tempos atrás...avaliava a bagagem acumulada e de dentro dela tirava risos, olhares, palavras, escritos, imagens, chegadas e despedidas, música, pinturas, tardes claras e noites escuras, lugares, lágrimas, sombras e paisagens, saudades...Lembra o esforço destinado a tudo aquilo e pensa...pensamentos que prometem descanso...trégua...a volta ao lugar conhecido...ao fim da aventura errante sem Quixote e Sancho Pança, sem moinhos de vento com suas lâminas...sem riscos, sem vinganças...Alonga os pensamentos para bem distante...o começo da jornada...as pedras no caminho...as flores perfumadas...num balanço quase reegenharia de processos...quando se faz a pergunta: de tudo o que fiz...o que faria de novo, o que não faria e do que fiz o que mudaria se tiver que repetir...Respira leve e profundo a certeza de ter chegado ao ponto pra onde se dirigiu o tempo todo...todo tempo.De volta ao lar da tranqüilidade sem perturbações cognitivas, surreais...sem apegos desapegados de si mesmo...sem fantasia...sem invenções...simplesmente, simples e fácil de se saber sem se perder... na paisagem sinistra do desconhecido que não se mostra nem mesmo sob a lupa dos sentidos.

Procura-se

Foto Suê obra Matisse Museu Nice França - 2011
Envolvida em crime de identidade de estilo literário...sofre acusação de possuir mil faces do letramento e se valer desse artifício para desviar pistas de quem a procura conhecer para desmascarar. Ação essa que implica desvendar a face revestida de mais de cem mil véus transparentes entre si ...cobertores dela...Sonsa e enigmática ela transita entre as pessoas e suas falas sem mostrar-se em sua paleta de cores e sentidos...mergulha com o olhar de lupas e sondas que se enterram nas palavras e gestos de seus interlocutores e sacia sua fome de inspiração ou de simples desprezo. Vai deixando atrás de si um exército dos que a investigam por meios dos escritos cotidianos... espiões profissionais e outros caçadores de prêmios por cabeças idéias e invenções...recorrem aos escritos e publicações escarafunchando palavras, adentrando, sem tirar os sapatos sujos, as entrelinhas dos textos...poluindo com interpretações banais...o perfume das palavras, a nuance das rimas, os sentidos escondidos a espera de serem encontrados e reinterpretados na nova criação de um leitor apaixonado pela escrita...Os arrombadores de túmulos continuam a busca de uma sinalização para a prova do crime...e por fim a condenação...Enlouquecidos e confusos entre a ficção, poesia, prosa e realidade perambulam dia após dia pelos escritos...enquanto ela em seu deleite criativo repousa o cansaço que lhe impõe o óbvio, o medíocre o insensato não saber sonhar, inventar e viver a vida em suas incontáveis possibilidades... Na sua alcova de pensamentos sem passagem secreta ela respira pausada e feliz com o que é e faz...escrever... soliloquiar na conversa com mortos, anjos e vampiros, fadas, escritores renomados ou desconhecidos, visita lugares, interpreta sentidos, troca pra cada escrito o vestido, valoriza as gentes e suas sutilezas, inventa scripts, protagoniza papéis, redescobre a própria história, reinventa a vida a cada minuto de ar e uma nova face... de face nova... Escreve sem receio a condenação...com esperança na reinvenção de seus escritos pelo leitor especial... a se fazer uma outra ela...com mais de mil faces literárias ampliando a minoria ausente do catálogo psicosocial a escrita marginal.

sábado, 30 de julho de 2011

Carta

foto arte Suê 2011
Pra cumprir apenas uma parte da promessa, foi a papelaria providenciar um bloco de papel de cartas, envelopes, selos do Correio, caneta tinteiro de um azul quase anoitecido e foi para casa. Escolheu um cd de música instrumental que tocou baixinho... instalou-se confortável com seu chá predileto evaporando essências no ar e pôs-se a redigir a carta lembrando dessa aventura escrita tão esquecida por ela mesma. Começou assim: Pessoa querida!
Espero que esta lhe encontre com  saúde e feliz.
Escrevo-lhe depois de tanto tempo utilizando o correio eletrônico, conversando no espaço on line e constatando o quanto nos faz falta essa delicadeza de um tempo em que precisávamos do mensageiro pra nos conectar a lugares e pessoas distantes. Trocamos a espera da carta no envelope selado e escrita cursiva, pelos teclados e correios eletrônicos . Dispensamos aquela caixa onde guardávamos cartas, postais, bilhetes de amor e segredos...

Não nos vemos a tempo, mas sei que partilha dessa preocupação com os excessos da tecnologia e as facilidades que dificultam cada vez mais, o encontro entre pessoas que apostam nas trocas que a relação de amor e de amizade promovem. Vi uma teleconferência sua sobre isso e me motivei a escrever essa carta.
Notícias suas só pelo facebook,  atividades no twiter, blog e o endereço do seu fórum profissional no lattes...mas não nos vemos há muito tempo...A foto digital tem hoje seu papel de cúmplice a sabotar a saudade e o desejo das pessoas de se verem presentemente. Ela também nos engana ao mesmo tempo que nos distrai. Não sei nada sobre você pois, tudo o que sei é virtual e não sei desse tudo... o que é real. Da última vez estava com os cabelos claros e fazia luzes douradas...uma vaidade sua que achei peculiar...na época eu usava os cabelos rubros e ao natural... nunca fui muito de salão de beleza...só mesmo quando tinha uma banca examinadora que deixaria minhas mãos sobre a mesa aos olhos de todos ou quando paraninfa nas formaturas da Universidade...ai sim cabelo...maquiagem...pra prestigiar o álbum de fotografias das pessoas que não tinham nada a ver com meu demazelo. Hoje desfruto da liberdade de estar como sou e gosto...trabalho autônoma e grupos de pesquisa colaboradora...não escrevo mais livros técnicos assumi minha veia poética de vez...perdi meus pais...órfã sai a procura de mim mesma na literatura. Mas isso não vem ao caso agora.
O motivo de escrever-lhe é romper essa rede on line e principalmente combinar  aquele chá que nos prometemos quando nos encontramos naquele Congresso de educação e lhe contei sobre as descobertas literárias que estavam redefinindo rumos de minha escrita...lembra? Na ocasião você se animou  e até sugeriu uma criação conjunta...mas havia iniciado seu mestrado, tinha muitas dúvidas...já deve ter terminado...seria bom conhecer sua pesquisa mas, gostaria mesmo era de saber se está feliz com o que tem feito...Tenho muita coisa pra lhe dizer mas temo ser inoportuno. Conheci uma pessoa nos últimos anos num intercâmbio acadêmico na França e me apaixonei...vejo em você a pessoa com quem conversaria sobre isso...pois sei também que é de muitas paixões...lembro ter falado sobre isso...estava terminando um caso de anos...Espero também que esta carta te encontre em meio a uma paixão dessas fulminantes que tiram o sono...confundem o sonhar com o pensar, o desejar, nossas invenções e a própria realidade.
Aguardo sua resposta para saber se podemos  nos corresponder...se podemos providenciar uma caixa para nossas cartas, postais e segredos...e qualquer dia tomar o chá que nos prometemos...mas principalmente saber se esse endereço ainda é o seu...ou se o seu endereço ainda é o mesmo...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Azul turquesa


foto Suê 2011
O trabalho intenso da noite anterior acabara com as tintas de maior uso na tela que ganhava sinais de finalização. Faltavam várias delas na paleta de cores. A tarde caia e a noite não podia chegar sem elas tintas e pincéis faltantes. Não teve dúvidas, retocou o batom...pegou a carteira, chaves, documentos, garrafa de água e rumou para o centro da cidade...casa dos artistas...abastecer seu estojo desfalcado. A tarde estava linda...ao chegar foi direto no setor das bisnagas de mil cores que a deixam embriagada de inspiração para pintar...ao chegar teve de esperar a pessoa que estava diante da prateleira impedindo-a de se aproximar e escolher...Ele olhou pra ela rapidamente depois para as tintas...de súbito olhou novamente e parou o olhar sobre ela inteira e sobre seu rosto e ficou assim...Ela então para fazer alguma coisa, o cumprimentou olhando para as tintas que ele tinha escolhido dizendo: são pra você? Ele não respondeu e continuou encarando. Era lindo... uns cinqüenta e qualquer coisa, alto, moreno, cabelos bem curtos, barba cerrada, calça jeans e uma camisa pólo, meio sujo, meio limpo, dava pra imaginar o cheiro...preferiu não imaginar...Ele recuou dando um espaço pra ela que foi direto nas cores que precisava...ele a olhava e tornava a pegar outras bisnagas, as mesmas que ela escolhia...De repente num gesto espontâneo ela diz...olha essa cor está com nome errado...ele diz: é azul turquesa...ela diz... não...não é...essa é azul cobalto, turquesa é mais claro...Ele macho demais diz: vou ver...e abriu a bisnaga (coisa que não se faz) com a força das mãos acabou espirrando tinta entre os dedos...ficou sem graça e disse pra ela...A culpa foi sua! E ela diz...minha? Eu só disse que o nome estava errado... se você quer o azul turquesa leve este que apesar de outro nome é a cor mais próxima do turquesa...Ele novamente com ar de macho mas sedutor...disse vou levar este mesmo! Ela não contém o riso e diz...tudo bem se for pra você, mas se foi alguém que pediu pra comprar...vai ser uma decepção...eu sei o que é isso! Então ele diz... vou levar este mesmo...e ela retruca...tudo bem está comprando um nome e não uma cor...Irritado ele diz: Estou comprando a cor! Azul turquesa! Ta aqui ó! Nossa... ela fala...Então ele sorriu deliciosamente e disse a ela...vou indo...prazer...fique bem, sei que vai pintar a noite inteira...está com cara...Ela ficou muda. Foi para o caixa e de longe ele ainda olhava pra ela meio sorrindo meio truculento... Como a tarde estava sem pressa e ela também, entrou no bar próximo pra tomar um suco de melão com hortelã e lá... no burburinho da sexta feira que promete uma noite linda por inteira... ela sente um olhar sobre seus ombros e volta-se...era ele! Com os dedos ainda sujos da tinta de nome azul turquesa, mas de cor azul cobalto...segurando copo de cerveja...olha pra ela, olha os dedos sujos de tinta e falou labialmente...culpa sua! E a noite de sexta feira foi longa...ocupou a tela inteira.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sombra da árvore

Havia um jardim esperando num banco de praça alguém pra conversar sobre coisa alguma e olhar o sol que projetava árvores em forma humana como parte da paisagem. E à sombra da árvore de forma humana um caçador de imagens sentou-se pra descansar sua câmera e viu deitada na relva a sombra...lembrava tantas outras... Estava sozinha e exausta da ventania que acabara de enfrentar... precisava mesmo era de uma chuva de chá pra se restaurar, e o repouso sobre a relva em companhia das flores do lugar... Curioso o caçador de imagens percorre colado a lente o olhar e a vê por inteira...árvore frondosa solidária em sua sombra...companheira...Fica ali por indefinidas horas a conversar com ela indagando sobre sua história e planos...até o sol se esconder e ela com ele desaparecer...O caçador de imagens se vê então na mais completa solidão, levanta-se despede-se da relva ainda amassada pelo peso dela: a sombra espalhada, confere os ajustes da máquina fotográfica , olha em redor de si e fotografa levando pra ela a sombra que se foi na dele que ficou.

Modelo surreal

foto Suê 2011
Ela aceitou por causa própria, o desafio de entrar na passarela sem nunca ter desfilado ...Era a modelo escolhida para o traje de exemplar único. O estilista criador da peça esperava há séculos o aparecimento da modelo que a vestiria e que viria de algum outro lugar. No dia da estréia acordou cedo e foi correr pra transpirar a insegurança sobre o que a esperava... Repensou: Teria sido melhor não aceitar essa idéia sem propósito... por que aceitei afinal...o que farei se tremer, se perder o equilíbrio sobre os pés, se o celular tocar e for minha mãe a precisar de mim, se eu tiver vontade de ir ao banheiro bem na hora? E se eu gostar disso e nunca mais me chamarem pra fazê-lo...se me vaiarem...e se as outras modelos me rejeitarem...e se a roupa não couber em mim...e se alguém me tirar pra dançar...se o estilista me cantar...se o mundo da moda me abraçar...virou-se pro lado, levantou-se e arremessou-se sob os holofotes que iluminavam a pista e ela fez, a cada passo, o percurso da fama que a consagrou. Ao dar a última volta para retornar ao camarim avistou na platéia seu último desejo e descobriu por que aceitara o desafio. Acelerou o passo num ritmo só dela, acenou com as mãos se despedindo e ouviu então o barulho do copo sobre sua cabeceira espalhando-se cacos pelo chão.

domingo, 24 de julho de 2011

Novo poema

A distância não era mais o motivo. A presença no mesmo ar, do mesmo lugar e mesma cidade, apertava os nós dos sapatos, das gargantas, dos laços pra presentes, dando uma nova cor ao que chamam saudade.
A rotina prosseguia serena e tranqüila sem se dar conta da ausência, seus ruídos e dias, idos e findos. Dia após dia tudo se seguia benfazejo cada dia, cada qual com seus ensejos, seus juízos... Calmaria.
E como se numa corrida em que ela, feito atleta que mira o percurso e nele a reta da chegada, a saudade se posiciona, se apruma, se levanta e do nada quase nada, começa a contar regressiva a hora da chegada que não chega nem no dia e nem depois do outro, dia...nem depois de rompida a faixa que avisava quem vencia.
Então se inicia, outra etapa do percurso da mesma prova e corrida. Ela então competidora saudade, se prepara pra nova projeção da largada e da reta de chegada. A distância perde a relevância, o tempo ganha novos sentidos, a hora e o lugar ocupam o destaque nos planos de execução para se alcançar a vitória...isso por que a distância não era mais o motivo...
Ela saudade então personalizada , desliza feito orvalho na folha recolhida pelo poeta, presente da musa escondida, guardado, escapa pela janela da alma em liberdade, salta fora do tempo, do lugar, da realidade. Liberta dos limites instala novos horizontes, dá um telefonema, toma um chá e vai ao cinema...Volta pra casa, toma outro chá,  abre o aquivo e retoma teimosa e feliz um novo poema.

sábado, 23 de julho de 2011

Caça ao tesouro

O olhar da fotografia na foto olhava pra onde ninguém mais via, só ela ali dentro daquela paisagem, depois da viagem ela via, o que mais ninguém podia, na fotografia. A escolha do foco do fotografista caiu aos meus pés e a sombra da alma na pedra da rua posou devagar. Derreteu a saudade, aquietou o coração, lembrou outras passagens de sombras então. Desenhou o autor contornos da imagem, provocou a estética do espectador, com ela pictórica sombra meio disforme, meio sem cor, sem rostos, limites se fez de cinza na calçada de pedra calcada, pequeninos pontos dela saltados, dando-lhe texturas, brilhos, significados. Registrada pra sempre e depois foi morar na brincadeira de caça  pirata desafio encontrado na pista do mapa. E a sombra que o sol permitiu se fazer, projetar, eternizar no olhar para mim - caçador de tesouros de imagens que me traz muito mais que ouro, sentidos de outros lados distantes destes tantos óbvios vazios. O tempo passou o que tem que passar e então ele agora vem a desfotografar o presente na mala, na lente na fala, no teste que aprova ou que tolhe. Aberto se torna prêmio do doce ausente, retorno sem festa pra comemorar, da sombra o nada, mas tudo o que vem pra ficar.

Corpo mão, jóia, anel: imaginuras


Saíram em pedaços desprendidos dos vestidos e dos membros das árvores a se trocar com o vento e a intempérie parecendo pra quem vê, que elas estão morrendo. Ilusão do entendimento. Estão a se espalhar pra viver outro momento. Encontrados fragmentos pelas mãos do escultor viram composição design e poesia, raridade e fantasia. Transformam-se complementos para aqueles que na incompletude do tempo ainda não se completou. Pelo olhar faminto das mãos e dedos vão pra longe cada qual num instrumento corpo, meios, papéis, ambientes, culturas, diferentes desiguais criaturas. Vão eles próprios, compor a própria identidade, ousado desejo, transgressão de estilo, exibicionismo, demonstração de vaidade a granel, peculiaridade dos sentidos, singularidade plural, gosto desenfreando pela arte e sua linguagens presa ao corpo jóia anel. E por elas, as mãos que chegam sempre antes, a levantar as cobertas, a despertar as orelhas, a sustentar o salto que retira da cama o corpo sonado, massageia os olhos a pele, os cabelos e a coragem, tudo toca, movimenta enfeita, se expõe se suja se molha, destrói, afaga, acolhe, atira, excita se lava, se toca, se junta na prece, esfrega e ativa a memória, se alonga se estende corpo afora...Nelas mãos os dedos qual galhos de árvore a se esgueirar em pinças, presilhas, alicates, operadores delas, auxiliar. Vão sustentar em um deles o anel a habitar outros mundos... viajar, atrair olhares, provocar sensações, confundir preconceitos, conversar outra língua, empunhar a taça, brindar a vida, assinar documento, autografar a arte, ferir as cordas do instrumento, erguer no ar a interpretação da atriz, apontar o firmamento, clicar o mouse, acariciar corpos, abrir a maçaneta, acenar adeus, cobrir o corpo pra aquecer e dormir... voltar pro quarto no dedo da mão de quem sonha ser mais do que gente, do que arte, do que árvore, do que um corpo somente... ser busca voraz, intermitente, do reconhecimento das ideias diferentes, nas diferentes posturas, estilos, paisagens...imaginuras.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Pipa

arte em tecido Suê foto Suê 2011
Ontem eu era um pincel a traçar perspectivas indefinidas; semana passada, uma lagartixa a observar a fragilidade de uma mosca enroscada próxima, covardemente próxima a minha língua. Depois um vagalume quase cego a sobrevoar a escuridão do meu lugar, aposento principal. Sua pouca luz do vagalume e não do aposento principal, o faz com medo de não poder me iluminar e me mostrar o meu segredo. Hoje sou pipa, papagaio ou o que dela sobrou. O que sei é que eu mesma ao longo de meus vôos tive bons empinadores de mim: felizes, apaixonados, pondo-me nas alturas, linha boa e em fartura, segurança pra voar e criar malabarismos...liberdade sem o risco do cerol. Conheci minhas alturas, pássaros que de toda espécie sobrevoa. Tive a vida deles nas minhas, mas não me tive na deles, pois sou de papel, estrutura fina de bambu reciclado, cola qualquer uma que grude uma ponta na outra. Não tenho sangue nas veias varetas, tenho apenas a leveza que preciso pra planar. Vivo hoje a certeza de que é tempo de voar, pois voar é preciso enquanto houver força no vento, vento no tempo e tempo pra voar. Sei que o vento em muito ajuda mas é uma boa arquitetura que precisa uma pipa senão, é só cabeçada e mais cabeçada até fincar rasante, vareta quebrada papel de seda rasgada, rabiolas em pedaços nos fios a sobrar, resquícios do cortante de vidro a linha ameaçar. É como se nem o vento que sopra forte do mar, me pudesse salvar. Volto pra casa pincel indefinidas perspectivas, lagartixa distraída, vagalume incandescente, e a pipa? Um desenho pintado, bordado na tela segura do vento, perdida o olhar pensamento, dentro dela de mim por dentro.

Quimera

Estávamos presentemente prova disso o corpo a corpo,copos nas mãos e o pensamento voando das veias nas vozes, do fonador em seu conjunto e composição boca, língua, dentes, movimento, sons, deglutição, plena função. A dialogar, pensar e inventar sobre essa louca diferença entre a comunicação virtual e a outra, que se dá presença do corpo na fala e linguagem coisa e tal estávamos nós. E sobre a escrita digital e a conversa convencional, manual, natural, pessoal, corporal. Um rumor da língua em movimento guiada com o olhar das mãos em transpiração, visibilidade da emoção, gestual, transparescência em respiração, tremor na voz riso no coração...E o falar com o teclado, a tela iluminada fluorescente que traz pra essa esfera o pensamento codificado palavras meio ausente mas presente, quase sempre sem correção no roteiro e navegação do espaço, no tempo da ilusão transitória transportada, mensagens envelopadas repletas de nada, sinais eletrônicos, código binário, imediato on line, sem selo, carimbo, suor, rabisco, borrão, Sai voando envelope lacrado num percurso pontilhado presente visão...Juntamos esses pedaços de pensamento da história da comunicação e vemos que na conversa virtual subjaz o namoro no portão com desvantagens, com soluções. Vender ou comprar uma idéia sem ver a face e o dentro dela, sem o olhar e ouvir da voz seus artifícios e ondulações a se mostrar doce, áspera, irônica, vulgar, formal, austera, lacônica. Estar com virtual e estar com presencial: eis as diferenças dessa fantástica quimera.

Prosa fractal



foto arte Suê/2011
No alvorecer fica ela na praia contando as ondas descritas na observação detalhada de Calvino, absorto em suas pantufas desaparelhadas investigando as causas do barão partido ao meio e a vingança do cavaleiro inexistente a remar contra a corrente das marés, cujas ondas se quebravam antes mesmo das idéias se formarem da cabeça percorrendo pelos pés. Nas tardes lentas e mornas procura ensandecida por Emílio, projeto fictício de Rousseau, perdido nos laboratórios e experimentos do saber pra ser sábio, aceito e no mundo viver. No anoitecer precoce apressada visita com seu traje inoportuno o mundo das sombras oportunizado por Platão e falar com ele sobre as não certezas de explorar ou não a caverna prisioneira dela mesma e sem razão. Madrugada jovem começada encontra-se ela numa de suas janelas com Cervantes a cavalo seu Quixote, figura triste, errante a brindar pela vitória contra os moinhos de ar. Sobra ainda parte dela madrugada a madurar quase finda, mais um breve introspectar: viajar com navegantes, mares nunca dantes navegados, na companhia de Pessoa o Fernando, seu poeta mais que amado, sem nenhum padrão o infante, por Felipa de Lencastre desejado, a conferir última nau. Olha ela finalmente, pela fresta da manhã prematura sem moldura nem pintura vê a praia, canta um verso pra Clarice que Lispector a espreitar por sobre espectro, sombrio e funesto, que vinha dentro dela, no fundo do próprio mar de desejos e lampejos de mulher de além mar.

Inventada

arte Suê 2010/2011
Ficou lá inventada por ela, uma escritora insana nascida no final do século, tempos sem escolha de sanatório que a acolha, sem projeção no enigma do tempo. Inventora desvalida de seus próprios sentimentos do que quer, e do que é, do que sabe, e do que tem, do que busca e de onde vai, sem ter tempo, ser ninguém. A Vítima da invenção Dulcinéia alucinada, não sabe se é tudo, se é nada se quase tudo ou quase nada, se muito, se pouco, metade, sem gosto, com sal, sem sabor de nada e com tudo, sem bom e sem mal! Inventada não sabe se existe ou resiste à fictícia quimera, efeito de som, sol de primavera em pleno verão que não quer mais ser ela, a que era antes da sua invenção, por ela a louca que a cria inspiração, de outros poetas, filósofos do bem e do mal, vampiros, profetas, primitivos, clonados no espaço virtual.
Agora pra ela a inventada só resta a espera, soleira da porta tela iluminada, a próxima escrita a ser publicada, que fará dela ainda inventada mais uma vez e de outra forma, identificada. Uma vez inventada pra continuar a existir vive a mercê da inventora, ela a inventada, que num esforço existencial se inventa com força e coragem pra seguir viagem enquanto a outra, a inventa nunca igual, permanentemente continuamente até que a inspiração a afugente pra outra invenção.

Diabo amassado

foto Suê 2011 - amanhecer prematuro
O entrevero veramente opera em mim o efeito que me afirma a afirmar: comeu o diabo que o pão amassou, dormiu na cama que o faquir projetou, ficou aos ruídos piscantes da luz - estroboscópica loucura, do princípio ao meio da noite escura. Na fuga pela estreita fenda lucidez, levanta sobressalto, escancara as janelas do quarto e contempla madrugada da lua. Câmera papel e lápis, conjunto de ferramentas pra exercer a terapêutica função, de registrar do céu o primeiro clarão e buscar a salvação, do sonambulismo enfático. Espera a manhã acordar, e nela apostar seus segredos comidos com o diabo, amassado pelo pão que não tem mais sabor de trigo, mas final do domingo vivido na 4a. que não teve como vestir-se de 5a. nem deu ao sábado a chance de ver sua sexta feira se aborrecer. Projetou na escada o lance da festa, terminou  desvivido, diabos comidos, pães amassados, fermento apodrecido dia amanhecido.

terça-feira, 19 de julho de 2011

ALERTA! RETICÊNCIAS...

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...  As Ilustrações e reticências dos textos deste blog foram hoje ameaçadas com denúncias graves. Encontram-se neste momento na sala ao lado, interrogadas. Irão a julgamento com certeza. Correm risco de serem, as reticências, descartadas, ficando apenas o texto literário e suas artimanhas. Também ele o texto, se absolvido for, será sobre algumas condições tais como: substituir as reticências pelos demais recursos da gramática da língua portuguesa. Esse certamente é resultado de um movimento gerado pelos dois pontos, pela vírgula e pelo ponto e vírgula que não conseguiram até o momento, seus lugares no texto. É bem provável que também o hífen esteja envolvido. Suspeitamos ainda que haja um movimento das demais obras plásticas, fotográficas, que não se encaixam nos conteúdos ilustrados. Ainda sobre as ilustrações presentes nos textos, são acusadas de prejuízos graves. O argumento que defende essa posição prossegue na denúncia sobre o direcionamento da escritora, com tendência cerceadora, fato que se confirma pelas análises das imagens que escolhe de modo a facilitar ou distorcer o percurso imaginativo do leitor. Textos inteligentes dispensam ilustração! Palavras que ecoaram escavando a passagem sem saída dos ouvidos da autora.
Um texto ilustrado é uma comunicação outra, que não esta que é a sua, a minha, esta que fazemos e que somos, todas nós em mim mesma, em nós (aqui eu poria reticências...com certeza). Segundo a acusação, esta linha literária que temos é enigmática e como tal não deve ter pistas com ilustrações, no caso das que se encontram sob denúncia, acusadas de que nem sempre são fiéis ao conteúdo do texto, não servindo nem mesmo de pistas para o leitor. Ou seja, uma fraude enquanto ilustração em relação ou não relação alguma com o texto. Serão retiradas mesmo antes da conclusão do veredicto. A autora concordou com essa medida.
Sobre as reticências seu uso indica algo que não se completou, que será dito mais adiante talvez. Ou não, quem sabe como?Diante das defesas da escritora a resmungar baixinho: mas é isso mesmo, a fala não se completou, nem vai se completar, ela não quer, por isso as reticências, não há erro algum e sim uma verdade que versa sobre a incompletude. Será que terei direito a replica, defesa, coisa parecida? Será que posso continuar com minhas reticências... Sim por que elas fazem parte do meu percurso mental reticente, pensativo, inventivo não há como não usá-las como forma de expressar isso...por favor, posso chamar alguém me ajude a explicar isso!Conheço alguém que pode me ajudar, posso? E então de novo a acusação: As reticências não fazem isso que você quer ou julga que façam ou exprimam. Faça tudo isso com as demais pontuações: ponto e vírgula, por exemplo, dois pontos, a própria vírgula! Tem também o hífen que pode usar! Conhece o hífen? Que humilhação...
Sim o hífen, a própria vírgula! Conheço todos eles. Preciso de uma defesa cuja argüição revele seu entendimento pleno dos escritos que sou. Outra escritora ou musa talvez inspiradora de algum poeta, perdido nos corredores das editoras perguntando será aqui a reunião? Que construa os argumentos capazes de convencer a crítica gramatical, lingüística, etcetera e tal, sobre a importância das reticências na escrita desta eu, escrita que sou! Vem me salvar!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sobras do começo

Foi muito rápido, o tempo suficiente para vê-lo despedir-se dela, até algum tempo, a mulher amada. Porta entreaberta, corpo meio dentro meio fora como a circunstância comemora: meio dentro, meio fora. Ausências que se chocam entre o ir e ficar, o ficar e o ir, vazios cheios de imagens, digitais por toda parte, lembranças que não se apagam, luz que não se vê, quando o escuro do quarto confunde as paredes e escondem marotas o acendedor do abajur.Desconcertado pelo mal jeito no gesto tantas vezes repetido ele revive a experiência de não achar a luz, designio, falta de jeito que faz rir.E então, na invenção de um novo antídoto pra solidão, resolve e povoa a ausência de liberdade, um vazio transformado em saudade.Telefonemas interrompem e marcam  presença, no apelo da voz a distância...tão perto! Malas prontas despedidas planejadas, casa vazia, marcas marcadas em tudo que é dela.É como ela fica, é como o deixa assim tão repleto de seus toques femininos, adornos, retratos, mimos, ela inteira! Reveza a partida, agora é ele que está meio dentro meio fora na despedida. Ela fica com seu cheiro pela casa, seus chinelos última troca de roupa, último beijo no portão. Começa tudo de novo: ela vai ele fica, tateando paredes vazias, ele vai fica ela a espera desse amor sem preço, meio inteiro meio metade, meio fim. Meio sobras do começo.

domingo, 17 de julho de 2011

Bit...byte ou Sueño

Conversava mais uma vez entre tantas milhares, com ele seu assunto preferido: os cibernéticos próprios dos binários, bits e outros byte(s) espaço afora. Navegava eu na sua tecnofala, tecnográfica, tecnológica numa entusiasta conversa de quem quer colo sem pressa. Num apelo rogo a inteligência artificial, justo eu a reticente robotizo-me na comunicação. Entre um risoto de queijo, um linguado, um pesto e um profiterole porque criança não fica sem doce, mesmo quando já feito homem, me entrego ouvidos e todos os sentidos que o assunto requer. Ah como era fácil quando falávamos de super heróis! Eu sabia o nome de todos eles  e seus poderes... Esqueço os byte(s) dou lugar a baita vontade de encher minhas mãos com sua barba negra que nos distancia em cada fio que espeta a tez da mulher amada, e que me alerta sobre a pessoa que concebi e agora o que mais quer é mostrar-me o conhecimento de sua arte e com ela ficar assim comigo. Num apelo que interpreto: sem adulações piegas, sem essa de cobrar filiação, saber da mulher que escolhi, das causas pessoais, das leituras que não li, das frutas e verduras que não gosto, do meu corpo desposturado; sem cobrar essa atenção. Para com isso, torce pro meu time, ouça minha voz  e fica assim guardada, protegida sempre minha dentro de mim.

História de nada

  O fazer todo desfeito e sem rumo prosseguia incansável sua busca, qualquer uma que o fizesse refazer o começo, arcabouço pelo avesso que vai do desfeito ao fazido tecendo o percurso, revendo o vivido, servindo outra vez o vinho bebido, propondo outro gosto trocando o mesmo vestido. E nesse percurso encontra o vazio insatisfeito cheio de nada prostrado, suspenso, se enchendo da idéia sobre se ia ou ficava . Olha em torno e busca o conforto duradouro. E ele sem pressa, por que duradouro, em seu lapso de memória se percebe volátil, finalizado sem o desfecho da hora. E no ancoradouro do tempo decide se ri ou se chora. Que bom seria a verdade poder compor também essa história. Eis que ela vem inquieta roendo as unhas vitima da constante crise sobre o ser ou não ser, ameaçada, fúria da incerteza voraz, vem teimosa sobressaltar a busca de um lugar de descanso e quem sabe se encontrar. Vê frente aos fundos o passado moribundo, choroso pela sala dos cantos a se indagar amontoado, desconsolo, resistente à chegada do presente. Em socorro desse quadro indefinido, dessa história pictórica vem o sonho do sono despertado e refaz o começo, preenche o vazio, ri do desfecho, chora e feliz comemora a verdade, consola a dúvida, desembrulha o presente e despede-se generosa a mente do passado que busca seu fazer desfeito, num outro lado deste mesmo. Arruma a casa, espera a visita que vem do nada e não se explica. Contra ponto contra gosto contra tudo contrariada, o fazer cheio de tudo dura o tempo quase nada pra verdade ser passado e a história inventada.

sábado, 16 de julho de 2011

Quarta feira.


Desejosa do status da quinta feira, quarta despediu-se da terça prometendo ser quinta antes de sexta feira. Aquela era uma tarde boa pra ser uma boa tarde de quarta feira a tarde. Boa pra se existir. O mundo rodava convincente e firme no eixo do tempo daquela tarde. A brisa se ausentara mais cedo, voltara pra casa descansar do vento que no dia anterior a fez balouçar rudemente até quase se espalhar inteira em desventania. As nuvens se juntaram num canto do céu sobrepondo novos traçados, transcritos revelando novo e inusitado papel. A tarde então apressada se mistura aos prenúncios da noite que com seus passos deslizantes lentos, chega vagarosa dando tempo pra tarde completar seu tempo. Sorrateira dançarina a noite entra em cena, sem estardalhaços nem pedir licença, vem silenciosa a abraçar os resquícios da tarde. Finalmente escurece o quarto, ilumina o palco, instala-se por inteira. Inaugura a quarta feira.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Árvoresculturas


Floresta - Pastel oleoso - tela Suê - Museu Emilio Goeldi -  Belém Pará


























Na vernissage estive lá, levei meu olhar pra se alimentar, distrair, brincar; minhas mãos e dedos deliciar; meu corpo inteiro agradar. Pude ver todas elas:jóias esculturas poesia imaginuras, árvoresculturas cultura cultivada cult sentimentos. A expressão do empenho do artista na definição de caminhos pra chegar na complexa e em permanente metamorfose, alma de artista! Caminhar pela mata, melancolia e meditação na sacola  a tira colo, do colo das mulheres por ele apaixonadas, olhos pregados nos pés que se lançam passo a passo fixos nas folhas e gravetos caídos das árvores benfazejas...Clarissa Pinkola Estés (Ciranda das Mulheres Sábias - Rocco/2007)...poetiza da Galeria de honra das mulheres do Colorado...pergunta em uma de suas poesias: Você já amou uma árvore...uma floresta? Faço dessa sábia expressão o fio da minha inspiração. A mesma que conduziu os  passos do escultor em sua busca: o amor pela floresta, pela arte. O olhar deitado sobre o caminho, o achado fragmento dela, que nas mãos dele transforma estopim de identidades raras, repletas de novos significados, essência e vida que no corpo da mulher ou do homem que se cultiva nessa fronteira entre vaidade e singularidade estética, torna-se adereço a conviver com a pele o perfume enfeites da alma dos que se identificam na arte e querem ficar perto dela árvore, do escultor, do artista, nela...com ela.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Do começo ao...


Suê Arte Suê -2011
Ficou  lá  desembrulho sem  presente...juramento invalidado ...descostura  ponto a ponto fio a fio...a sangrar  tecido e pele...a soprar o ar do arrepio...entre o meio e a metade...meios desejos...meias vontades...metade certo...metade errado...Mia Couto falou em um de seus contos algo parecido...sobre as meias saudades que ela  refaz  como saudade inteira...sai pelos pés do pensamento na janela da noite e vagueia pelas palavras que solidárias se oferecem benfazejas na escrita...E percebe que o sonho...de tanto que se sonhou...acabou apenas...sonhado...sabe como?... Então...acorda leve e suspira...na varanda do sorriso que escapou...e vê  sua  fantasia...encolhida...ilusão despida...na palma do coração...

Esconderijo

arte Suê - 2010/11
Estive lá mais uma vez...falar com ela...tentativa do  inexplicável...me sentei ao seu lado...olhei dentro dela...visitei aposentos secretos...desarrumados...lugares superlotados...outros desocupados...vazios...mal aproveitados...Suas mãos ainda marcadas pela última modelagem...  pés  molhados da chuva que não caiu...cabelos desgrenhados...rosto sem pintura...lábios ressequidos...Penetrei  o olhar  suas entranhas...o sangue percorrendo...impotente... sem carga de bateria...pulmões sem ventania...coração desligado...hardware bichado... Ela continuava no silêncio que começou a usar no início da tarde...Sentiu-se exagerar na alegria...e provocou a melancolia já irritada com tanta excitação que vinha dela e de seus gestos...sentimentos...fantasias...Tentei  a conversa...calma...como  acredito deve ser...Tentei  ser suave e ao mesmo tempo...sacudi-la lembrando-lhe preocupações e paixões que sempre a trazem de volta...frases platônicas...canções de Piaf...letras de Francisco...música de Mozart...pinturas de Van Gogh...poesias de Vinicius...fidelidade de Sancho...voz do pequeno príncipe...entardecer...Nada a demove...Sem sucesso...a deixo... perdida em algum lugar sem mapa ou bússola pra se guiar...quixotesca  a sorver  em pequenos  goles  seu veneno preferido... o silêncio... esconderijo.

sábado, 9 de julho de 2011

Melão com hortelã


Manhã em cavalion - foto Toinie - 2010
De repente... os atropelos da tarde...desorganizou... o resto que ficou do dia...Havia um tempo sobrando... no começo da noite...havia um jeito de a tarde alongar o seu dia...e revestir a chegada da noite...de surpresas...misturadas com espanto...Meio alegre meio tonto...meio quase em despedida...duvidoso...se querer ser tarde inteira...ou ser noite quase dia... Havia um jeito de a noite ter da tarde a companhia...e ajustar suas lacunas...espalhadas pelo dia...Antes que o tédio chegasse...sem avisar da partida... sobressalta-lhe a imagem...da viagem sem roteiro... pelo centro da cidade...Uma parada breve...no antigo lugar... de chegar todos os dias...O prédio tombado...esquecido...lembranças apagadas...Um coral de pessoas suaves...escapam  as vozes pela janela...solfejam na noite que nascia...misturada com a tarde...que também se despedia...A esperança...esperava...a promessa se fazia...de fazer aquela noite...parecer um novo dia... num lugar...que conhecia...Mas o dia apareceu...e o sono interrompeu...lembrou o sonho e contou o que foi...o que havia...a lua meio metade...o lago meio vazio...quiosques meio enfeitados...pra festa do outro dia...a pista se estendendo...ante os pés estacionados...olhos fixam...a projeção...das sombras de Platão...que caminham prisioneiros da paixão... interrompidos pelo vigilante que avisa o fim da noite...espanta os sonhadores... que despertos e... num afã...perpetuam o sabor... de melão com hortelã...

Uma pista

mesa de trabalho - Foto Suê - 2011
Caminhavam ...atalho literário... perspectiva das palavras....imagem projetada...direção ao sol...bagagem portátil...presa as costas...sonho na cabeça...conhecer a Irlanda...viver... em Paris... lugar de magia...onde a meia noite... tudo pode ser que aconteça...só a depender de quem deseja...seu universo cognitivo...estético e sensível...Descobri...num outro dia...que o desejo...pra ser fato...precisa de referências...significados...significantes...do lugar...das cores... personagens...da música... iluminação...do conteúdo que se quer no texto...do pensamento...do script...do que se inventa... A exemplos...Jardins de Monet...cadernos com escritos de Van Gogh para Theo...estudos de Picasso a transformar as Meninas de Velazquez...Romances e aventuras de Hemingway...halterofilistas esculpidos modelos pensadores de Rodin...Flauta mágica de Mozart... literatura...romance...breguice...paixão...emoção...episódios que se juntam...desejo insano de encontrar-se a si mesmo...no gosto perfumado a provar o próprio baton...pressionando lábio a lábio...A si mesmo na fotografia...melancolia da janela...uma pista...pra saída...no pincel...nas tintas...na tela...na bagunça colorida... ou sem cor...mas...dela...artista! 

Correio


Arte e Foto Suê - 2011
Sobre escrever....comunicar-se ....fazer sua escrita chegar ao leitor....motivos da mensagem...formas de acesso e  continuidade da comunicação...Fico pensando certas culturas...tenho um amigo na região da Provence... na França... que mantém a cultura da correspondência via Correio...tenho também um em Havana, Cuba...e devo certamente ter também em  outros cantos...Essa  cultura do correio e das cartas em papel que viajam de um lado ao outro levando notícias...mensagens...Escrevi sobre isso num livro sobre tecnologias e comunicação...porém sem meu tempero preferido...as reticências que habitam a inspiração...Com a tecnologia hoje... os românticos  excêntricos da correspondência via correio...mantém essa cultura...li outro dia...ou apenas ouvi...ou inventei...não sei... um ensaio literário jornalístico...(existe essa modalidade?...não sei...mas é isso...) um francês dizendo que tem um amigo tão fiel ao uso dos serviços do correio convencional , que...apesar de dispor das tecnologias modernas, inclusive do e-mail,  continua a  escrever cartas e enviar pelo correio...Exemplificou sua afirmação dizendo  que ele recebeu do amigo uma resposta a  um e-mail que lhe havia mandado...ficou esperando a resposta vir na caixa de correio eletrônico...mas não...veio no envelope lacrado...carimbado e viajado pelo tempo e espaços convencionais...Achei essa história delicada e nostálgica...Me lembrei...me pediram algo assim...meses atrás...quero receber uma carta sua pelo correio...ler no papel sua escrita nele...sentir seu  toque presente ainda ...digitais certamente escondidas...seu  dobrar o papel...sem contar sua presença mental na escrita...você  pensando cada palavra...capacidade de informar...a beleza delas palavras escolhidas...sua  beleza...você inteira...suspirei abri minha caixa de correio eletrônico e comecei a chorar...resolvi então atender meu pedido...escrevi pra mim mesma...depositei no correio...estou esperando a resposta...ou melhor...a mensagem...a resposta darei depois....

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Letra e música

 Letra  e música...existe um filme com esse nome....
existe  um nome com esse filme...o meu....

Lá estava eu novamente  a compor versos...na escrita...um poema...destinado...a composição musical.... No acordo que fizemos...letra e música... cabia a ela ...o tecido da canção...vestimentas...musicais...Com esse inverno intenso...naõ poderia faltar... ... agasalhos coloridos...nas notas mais vibrantes...tecidos macios....nas escolhas dissonantes...um chapéu ao meu estilo...nos arranjos  violino...a  echarpe colorida...nos acordes...pra acordar o boêmio violão...um perfume  mais que  raro...traduzido na harmonia da doce flauta que não falta aos ensaios do domingo...e por fim...como um poema mulher...um batom natural...perfumado....  macio... a selar lábios...para sempre sensuais....nas notas  consoantes do másculo baixo acústico...e por fim ...o  singelo cavaquinho...atrasado... e confuso...se oferece... adereços  tonais...Quase pronta...Falo com ele ...o  meu poema....  explico sobre o que vai acontecer...Olhe...você deixa agora de ser ...apenas o poema escrito com códigos que arrumei  ...agora...vai  se compor novamente ...com sons... ritmos...tonações.... Pode achar estranho no começo... quando se ver espremido... pra se ajustar nelas... frases...espaços  musicais...Depois...vai gostar...terá sempre  a voz  por companhia...te cantando...E com ela...um instrumento te seguindo...carregando você  com ele...nas cordas...teclado...baquetas...piruetas... compositor...maestral... Terá também...de vez em quando...pessoas te ouvindo...cantarolando você... palavras que busquei...ao te fazer...Deve estar a perguntar...e você...onde estará...vai me abandonar... nesse mundo musical...me tirar dos outros textos...arquivos... tão conhecidos... versos... .meus amigos...E então... lhe  tranquilizo...Acalma-se...não  te abandonarei...ao contrário... estarei  ali contigo... na platéia...coração em partitura...emoção contralto o corpo inteiro...revivendo o  pulsar...do meu ser...do sagrado ser... gestos seus...versos meus...nos vemos por ai...sabe como...pode ser... 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Palavrões

Foto Suê - Avignon - França - 2010
Ela tinha menos de 13 anos quando ganhou seu primeiro dicionário da língua portuguesa... livro grosso com todas as palavras que se podia imaginar...e outras que não imaginava...ainda...Menina simples...conhecia os livros pela biblioteca da escola...e pública...além dos que habitavam as estantes das salas e escritórios das casas dos grã-finos...que visitava com a mãe no trabalho... sempre fascinada por eles...O dicionário se destacava...objeto desejoso...grosso...pesado...posava imponente... importante...guardava todos os segrêdos das palavras, suas intimidades e relações  com as outras...significados...secretos...Agora tinha um só seu...pra ler quando desejasse...procurar curiosa...conhecer ...esse livro que oficializa  a existência da palavra... livre de julgamentos morais... Uma das maiores curiosidades da menina...era os chamados “palavrões”...longe de ser  uma palavra grande como soa o adjetivo...podia ser uma palavra pequena no seu tamanho...por exemplo “cú” pequenina famosa... palavrão...A menina se revela...inconsistências na educação que recebia... catalogava os palavrões no acervo das proibições... aquelas que uma menina jamais deve dizer...ou pensar...Mas ela conhecia e muitas...curiosa... meio menina de rua... meio colégio de freiras...antro de “palavrões” inspirados no imaginário sobre a intimidades... religiosas...não tinha como não conhecer...O discionário entre as mão apertando sobre o peito, corria naquela tarde após o almoço...quando a casa era quieta... Sentava-se recostada na parede...folheava curiosa... páginas alfabéticas... a palavra em seu sinônimo...Foi então saciar a curiosidade...das palavras que sempre lhe foram proibidas...queria saber... se existiam ou eram entidades inventadas...linguagem marginal...das meninas de rua...um pouco como ela...Começou pela letra b “bosta” seguida “bunda” numa pesquisa pecaminosa de “merda”, “puta” “viado”... maravilhada de ver tanto palavrão alí concentido...escritos... palavras proibidas e “feias” presentes...no  importante livro: o dicionário...  descobre  a liberdade  no conhecimento que... em posse dela ... ninguém...nem ela... se aprisiona jamais submissa... preconceitos...palavrões...dicionários.

Tosco


Foto Suê - Jardins do Mosteiro Franciscamos - Nice - França 2010
Ele continuava lá...me olhando...pálpebras caídas...lábios cerrados...apertados...mãos descansando sobre a barriga...e ela...a barriga sustentando...frouxa... exausta seu volume...nas mãos...Falo com ele como quem tenta arrrancar a faísca da pedra em atrito...e despertar nele...um morto...vivo... o brilho do dia que amanheceu frio...sugerindo aconchego e calor...Continua alí diante de mim...delirando um poder que não terá...uma vaidade...sem lugar...Melancolia no olhar...Reviro minha bagagem em busca de um elixir cujo efeito depende das cores do aposento interno daquele ser...Olho de novo pra ele e tento decifrar a cor de suas paredes...a renda de sua cortina esvoaçante desnudando o clarão das janelas semi-cerradas...Porque não abre as janelas por inteiro? O que esconde nesse cofre de ambição...esse homem...que sofre...Ele deve ter cortinas de renda...quero tecê-las para ele...creio que merece cortinas de renda a voar seus sonhos pelo ar...fora das paredes escuras...que esconde o menino que foi...Cortinas de renda...ao menos isso pra dar leveza ao peso do corpo...disforme...triste...Tento conhecer imaginário reconhecer as chinelas que acolhem  seus pés cansados no final do dia...Me envergonho...dele...tão rude...tão frágil...tão tosco! Uma tristeza me toma a calma...transforma meu dia...questiona minha compaixão...sinto-me cruel...busco incansável o que aprendi...me volto pra ele...sorrio...e lhe dou parte de meu precioso dia que com ele partia...retribui tímido...acomoda-se na cadeira...e quando penso que venci...ele  franze a testa...olha pra mim...gagueja...vejo então...nada restou...do desejo de fazê-lo flutuar uma leveza inventada por mim...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Paçoca

Também já me senti assim...uma paçoca esquecida...em algum lugar...Foto - Suê volta de Mont San Savino -
Achei uma paçoca esquecida... da festa junina... ao lado do teclado... do computador....olhei pra ela..nas entranhas...busquei minúsculas formigas...coisas parecidas...que chegam antes de nós na paçoca esquecida...Nada...ninguém até então a descobrira além de mim...Examinei o papel celofane meio rasgado...alguém pensou comê-la e desistiu...olhei mais...seu formato retangular estava disforme...uma pequena mordida pode ter sido a causa...Mas porque uma pequena e única mordida...estaria a pobre sem gosto nenhum pela vida?Que Ser a teria provado tão superficial e a deixado ali naquele estado...meio desembrulhada...exposta...sem guarida? Pensei na minha última refeição...seu teor e validade...pensei no açúcar que consumira inadequado...sorvendo o líquido vermelho da bala que diluia sabores artificiais...penetrando meu caráter natureba...fragilizado pela propaganda do halls...olhei novamente pra ela...a paçoca...sua simplicidade... vi que também me olhava...me comoveu sua humildade...sabia o que estava pensando...sobre minha preferência por balas artificais...e sua breguice...produto de festa caipira...Num impulso estiquei o braço a tomei entre as mãos desembrulhei o que sobrou desgrudando o melado seco pelo tempo exposto sem papel...enfiei na boca e mastiguei bem rápido...resolvendo de vez seu problema de rejeição...e o meu do abandono sentido na volta de San Savino...ela...eu... paçoca.

Acontecimentos

foto imagem Suê- 2011
...não tinha a menor idéia de como as coisas iriam acontecer...pediu um chá e esperou...um livro lhe fez falta...seus olhos não tinham o que percorrer...precisava distrair dos últimos acontecimentos...na mesa ao lado uma pessoa curiosa com sua presença tentava cruzar o olhar pra se fazer notada...não facilitou...não queria...afinal o chá estava perfumado...as mãos frias...Disseram que a temperatura iria a 4º...ela transpirava sob o casaco pesado...mais um chá por favor...ficou ali esperando a chuva...o bom livro...a cena de romance desfilando...cheiros...ruídos...casacos diversificados....inverno distraido...tudo num coquetel a depurar os sentidos...e desenhar as coisas que iriam acontecer se continuasse inspirada a respirar...ideias...exalar a fadiga dos últimos acontecimentos...soletrar a cantiga que acalma...suave...e escreve...sem medida...desmedidamente...até esgotar a ultima letra que se recusa a formar sílaba...a última sílaba enfrentando-a...contrariando-a quanto a composição da palavra...não tinha a menor idéia de como as coisas iriam acontecer...continuou seu chá...trouxeram-lhe um livro...um filme...uma viagem a Paris...pernoite em Praga...quem sabe...talvez lhe traga uma idéia de como as coisas vão acontecer...

60'

foto Suê - 2011
Naquela manhã...ela ganhara 60 minutos!Com sua lente de visão perspicáz... gentileza...disponibilidade e capacidade de síntese...ganhou 60 minutos...120 segundos! Quantidade animadora!...pra sair e registrar imagens...sentidos...comemorar...Do lado de fora...o céu teimoso no seu azul de duvidoso inverno e duvidoso...clareia a saída da caverna de Platão...de dentro de si  aparece esbaforido...apressado... Gláucon e lhe pergunta...E então...o que temos? 60 minutos ela responde...Sessenta? Sim...sessenta! Apertam-se os cintos e os motores roncam...sem nenhuma refeição decente nos últimas 24 horas...cavalos negros puro sangue...preparados para o conhecido galope cronometrado....sem destino... sem gps...as cegas...convincente da fuga necessária...urgente...antes que o sol acabe...o brilho apague...a semana termine...a inspiração se esconda...a explicação transtorne...a ilusão fecunda...Roda em circulo qual malabarista sem sombrinha...sem fio suspenso...sem rede e segurança...insegurança...certeza...querença...O relógio acelera o tempo...os segundos subtraem...um a um...sem vingança...ou traição...Estaciona em lugar errado...volta...manobra 360º...aplausos...reta de chegada...hora da partida...tempo esgotado...um aceno...liga o som...acelera o motor da alma incrédula...e volta pra casa...acerta o relógio...abre um  arquivo e a tela em branco imita Gláucon e lhe pergunta: o que temos?...ela digita...60 minutos.

domingo, 3 de julho de 2011

Descalça pra casa


No final de tudo ficou o silêncio exaurido pelo alarde conturbado e explosivo da música volume e cor...No lugar...a energia da festa na noite anterior...insiste encontrar razão pra perdurar um pouco mais...Agora entretanto...o vazio reclama ausência dos que ali estiveram desfilando sua alegria a festejar a festa...Fragmentos da noite buscam unidade e sentido...Resquícios da euforia...dos encontros trombam tropeços na mobília semi desmontada com a decoração em ruína...A festa havia ido embora com os que a tornaram...com suas ilusões em festa...Sentimentos contidos permanecem represados...titubeando em labirinto na busca de um lugar...no depois da festa...Explosão de fantasia imagética perpetua na fotografia... paralisada e estática a existir além da festa... Ela encontra-se então no lugar do depois da festa... Olha pra si mesma e vê um novo começo...de festa silenciosa...comemora o sucesso da outra e o mistério enigmático da próxima...uma festa cuja convidada especial é ela mesma...com os adereços dos pensamentos...das indagações...da certeza de uma busca que não tem fim...Exausta tira os sapatos de salto tão altos quando sua esperança...e volta descalça para casa.

Copos vazios de água


Passaram a noite toda esquecidos sobre a mesa de vidro...na varanda...sob a vigilância rigorosa de um bonsai...portador de doença crônica...que se manifesta para aterrorizar sua anfitriã...ameaçando morrer...de quando em quando...
Seres obsecados e vitimados pela ameaça do fim da água potável no planeta...fizeram deles...os copos...escravos portadores da bebida em extinção...E então...conhecedores dos riscos da obsessiva vigilância que sofriam... do neurótico bonsai...ficam ali esquecidos pelos dois fanáticos apaixonados e crédulos na salvação do universo pela água...ficam atentos a noite toda...esperando amanhecer uma nova idéia que os carregue dali pra uma fonte segura.
Amanhece... a faxineira fumante que tosse o pulmão sobressaltado a agarrar-se pra não escapulir pela boca...ajusta o avental...empunha qual espadachim a vassoura...olha em torno e grita: Alguém pode me dizer quem deixou esses copos aqui?
Os dois se entreolham, Suspiram fundo...aliviados...amanheceu em fim uma nova idéia.

Morada baleia

Ela ficou profundamente entediada depois da visita do golfinho naquela tarde de 5ª. feira...O que antes era morada perfeita...fresca...tranqüila...ideal pra se ter uma vida segura de baleia, ainda que como um adorno ou brinquedo de criança...posando bóia protetora... Sua morada perdeu toda graça...tornou-se um cubículo escuro e frio amordaçado pela nostalgia da saudade...Pobre baleia...a espera povoa agora seus dias...num constante perguntar...Por onde andará o brincalhão feito menino maluquinho...o aventureiro, teimoso e traquino golfinho?Tento acalmá-la com minhas escassas visitas...mas vejo que não tenho o feeling do bichinho inteligente...e sedutor...Demonstro a ela compreensão sobre sua sina e lhe desejo sorte...um dia quem sabe...quando estiver novamente querendo exibir suas travessuras ele volta pra encantar suas tardes escuras...quem sabe...