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sábado, 30 de julho de 2011

Carta

foto arte Suê 2011
Pra cumprir apenas uma parte da promessa, foi a papelaria providenciar um bloco de papel de cartas, envelopes, selos do Correio, caneta tinteiro de um azul quase anoitecido e foi para casa. Escolheu um cd de música instrumental que tocou baixinho... instalou-se confortável com seu chá predileto evaporando essências no ar e pôs-se a redigir a carta lembrando dessa aventura escrita tão esquecida por ela mesma. Começou assim: Pessoa querida!
Espero que esta lhe encontre com  saúde e feliz.
Escrevo-lhe depois de tanto tempo utilizando o correio eletrônico, conversando no espaço on line e constatando o quanto nos faz falta essa delicadeza de um tempo em que precisávamos do mensageiro pra nos conectar a lugares e pessoas distantes. Trocamos a espera da carta no envelope selado e escrita cursiva, pelos teclados e correios eletrônicos . Dispensamos aquela caixa onde guardávamos cartas, postais, bilhetes de amor e segredos...

Não nos vemos a tempo, mas sei que partilha dessa preocupação com os excessos da tecnologia e as facilidades que dificultam cada vez mais, o encontro entre pessoas que apostam nas trocas que a relação de amor e de amizade promovem. Vi uma teleconferência sua sobre isso e me motivei a escrever essa carta.
Notícias suas só pelo facebook,  atividades no twiter, blog e o endereço do seu fórum profissional no lattes...mas não nos vemos há muito tempo...A foto digital tem hoje seu papel de cúmplice a sabotar a saudade e o desejo das pessoas de se verem presentemente. Ela também nos engana ao mesmo tempo que nos distrai. Não sei nada sobre você pois, tudo o que sei é virtual e não sei desse tudo... o que é real. Da última vez estava com os cabelos claros e fazia luzes douradas...uma vaidade sua que achei peculiar...na época eu usava os cabelos rubros e ao natural... nunca fui muito de salão de beleza...só mesmo quando tinha uma banca examinadora que deixaria minhas mãos sobre a mesa aos olhos de todos ou quando paraninfa nas formaturas da Universidade...ai sim cabelo...maquiagem...pra prestigiar o álbum de fotografias das pessoas que não tinham nada a ver com meu demazelo. Hoje desfruto da liberdade de estar como sou e gosto...trabalho autônoma e grupos de pesquisa colaboradora...não escrevo mais livros técnicos assumi minha veia poética de vez...perdi meus pais...órfã sai a procura de mim mesma na literatura. Mas isso não vem ao caso agora.
O motivo de escrever-lhe é romper essa rede on line e principalmente combinar  aquele chá que nos prometemos quando nos encontramos naquele Congresso de educação e lhe contei sobre as descobertas literárias que estavam redefinindo rumos de minha escrita...lembra? Na ocasião você se animou  e até sugeriu uma criação conjunta...mas havia iniciado seu mestrado, tinha muitas dúvidas...já deve ter terminado...seria bom conhecer sua pesquisa mas, gostaria mesmo era de saber se está feliz com o que tem feito...Tenho muita coisa pra lhe dizer mas temo ser inoportuno. Conheci uma pessoa nos últimos anos num intercâmbio acadêmico na França e me apaixonei...vejo em você a pessoa com quem conversaria sobre isso...pois sei também que é de muitas paixões...lembro ter falado sobre isso...estava terminando um caso de anos...Espero também que esta carta te encontre em meio a uma paixão dessas fulminantes que tiram o sono...confundem o sonhar com o pensar, o desejar, nossas invenções e a própria realidade.
Aguardo sua resposta para saber se podemos  nos corresponder...se podemos providenciar uma caixa para nossas cartas, postais e segredos...e qualquer dia tomar o chá que nos prometemos...mas principalmente saber se esse endereço ainda é o seu...ou se o seu endereço ainda é o mesmo...

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