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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sobras do começo

Foi muito rápido, o tempo suficiente para vê-lo despedir-se dela, até algum tempo, a mulher amada. Porta entreaberta, corpo meio dentro meio fora como a circunstância comemora: meio dentro, meio fora. Ausências que se chocam entre o ir e ficar, o ficar e o ir, vazios cheios de imagens, digitais por toda parte, lembranças que não se apagam, luz que não se vê, quando o escuro do quarto confunde as paredes e escondem marotas o acendedor do abajur.Desconcertado pelo mal jeito no gesto tantas vezes repetido ele revive a experiência de não achar a luz, designio, falta de jeito que faz rir.E então, na invenção de um novo antídoto pra solidão, resolve e povoa a ausência de liberdade, um vazio transformado em saudade.Telefonemas interrompem e marcam  presença, no apelo da voz a distância...tão perto! Malas prontas despedidas planejadas, casa vazia, marcas marcadas em tudo que é dela.É como ela fica, é como o deixa assim tão repleto de seus toques femininos, adornos, retratos, mimos, ela inteira! Reveza a partida, agora é ele que está meio dentro meio fora na despedida. Ela fica com seu cheiro pela casa, seus chinelos última troca de roupa, último beijo no portão. Começa tudo de novo: ela vai ele fica, tateando paredes vazias, ele vai fica ela a espera desse amor sem preço, meio inteiro meio metade, meio fim. Meio sobras do começo.

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