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terça-feira, 12 de julho de 2011

Esconderijo

arte Suê - 2010/11
Estive lá mais uma vez...falar com ela...tentativa do  inexplicável...me sentei ao seu lado...olhei dentro dela...visitei aposentos secretos...desarrumados...lugares superlotados...outros desocupados...vazios...mal aproveitados...Suas mãos ainda marcadas pela última modelagem...  pés  molhados da chuva que não caiu...cabelos desgrenhados...rosto sem pintura...lábios ressequidos...Penetrei  o olhar  suas entranhas...o sangue percorrendo...impotente... sem carga de bateria...pulmões sem ventania...coração desligado...hardware bichado... Ela continuava no silêncio que começou a usar no início da tarde...Sentiu-se exagerar na alegria...e provocou a melancolia já irritada com tanta excitação que vinha dela e de seus gestos...sentimentos...fantasias...Tentei  a conversa...calma...como  acredito deve ser...Tentei  ser suave e ao mesmo tempo...sacudi-la lembrando-lhe preocupações e paixões que sempre a trazem de volta...frases platônicas...canções de Piaf...letras de Francisco...música de Mozart...pinturas de Van Gogh...poesias de Vinicius...fidelidade de Sancho...voz do pequeno príncipe...entardecer...Nada a demove...Sem sucesso...a deixo... perdida em algum lugar sem mapa ou bússola pra se guiar...quixotesca  a sorver  em pequenos  goles  seu veneno preferido... o silêncio... esconderijo.

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