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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Pipa

arte em tecido Suê foto Suê 2011
Ontem eu era um pincel a traçar perspectivas indefinidas; semana passada, uma lagartixa a observar a fragilidade de uma mosca enroscada próxima, covardemente próxima a minha língua. Depois um vagalume quase cego a sobrevoar a escuridão do meu lugar, aposento principal. Sua pouca luz do vagalume e não do aposento principal, o faz com medo de não poder me iluminar e me mostrar o meu segredo. Hoje sou pipa, papagaio ou o que dela sobrou. O que sei é que eu mesma ao longo de meus vôos tive bons empinadores de mim: felizes, apaixonados, pondo-me nas alturas, linha boa e em fartura, segurança pra voar e criar malabarismos...liberdade sem o risco do cerol. Conheci minhas alturas, pássaros que de toda espécie sobrevoa. Tive a vida deles nas minhas, mas não me tive na deles, pois sou de papel, estrutura fina de bambu reciclado, cola qualquer uma que grude uma ponta na outra. Não tenho sangue nas veias varetas, tenho apenas a leveza que preciso pra planar. Vivo hoje a certeza de que é tempo de voar, pois voar é preciso enquanto houver força no vento, vento no tempo e tempo pra voar. Sei que o vento em muito ajuda mas é uma boa arquitetura que precisa uma pipa senão, é só cabeçada e mais cabeçada até fincar rasante, vareta quebrada papel de seda rasgada, rabiolas em pedaços nos fios a sobrar, resquícios do cortante de vidro a linha ameaçar. É como se nem o vento que sopra forte do mar, me pudesse salvar. Volto pra casa pincel indefinidas perspectivas, lagartixa distraída, vagalume incandescente, e a pipa? Um desenho pintado, bordado na tela segura do vento, perdida o olhar pensamento, dentro dela de mim por dentro.

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