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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Veneno

Adega Menerbe - França - foto Suê
Para provar...uma nova alquimia prepara o elixir composto de fragmentos da história da aparição...seu lugar....emoção...detalhes psicóticos...esdrúxulo...anjo esculpido...estilete de vidro... contexto...personagens...hipertextos... qualidades...mazelas... frustrações...desejos... descobertas...invenções...de si mesmos...E numa nova posição sem tanta oposição...ajustam os corpos...atam os laços...no acomodar de abraços, os braços enredam pescoço... a cabeça...sem definida sentença...duvidosa...descrença...eternamente suspensa a atitude e decisão...E...num novo colóquio sem palavras...deflagram sentimentos...sentidos momentos...de estranha e perene felicidade...definitiva loucura...E...num palco construído para o efêmero ato...tresloucada paixão...reuni sombria platéia ...ensaia o espetáculo e exibição...reedita a preleção...reconfigura o fluxo de ar nos pulmões...coração...sustenta no mais alto da cabeça e...razão... a gigantesca taça de vidro...nada translúcido... bruto cristal sem origem nobre...faz o brinde...dirigi-se ao último dos anjos...convocado para a sombria penumbra da sala de reuniões...em meio a obscuridade condicional dos presentes...qual prisioneiros das sombras... Desperta a gratidão de mais um amanhã vestido para o desiderato...provam do veneno...Renascem fênix das sombras...elevam-se aos mais distantes mundos...encostam-se nas nuvens num repouso volátil... e provam por fim o adocicado sabor artificial... umedecendo os lábios ressequidos pela jornada...sedentos...veneno.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Cavalo marinho

Cavalo marinho para guiar anjos e princesas - Suê - 2011
Atendi seu pedido...busquei no meu baú de ferramentas...em meio a estiletes afiados...brocas...pedras...parafusos...vidro...madeira...idéias que descansam a espera de um toque...Tomei dela grafite e papel...Abri o arquivo de preciosidades...nele uma página em branco...disposta a ser minha partiner...soprei a criação do desenho nas páginas d’alma... acionada pelo seu pedido...me faz um desenho...De volta o pequeno príncipe de Exupéry vem assombrar meu mundo...noutra época e lugar...me faz um desenho...não era desta vez um carneiro que necessitava de uma redoma para não comer a rosa...Desta vez... o principezinho que assalta o coração adulto com sua voz meiga e angelical...pedidos inusitados...originais...me faz um desenho...Um golfinho em meu socorro vem a inspirar-me remetendo-me ao cavalo marinho...num desenho que rabisquei de imediato...tão real quanto o carneiro de Exupéry...porém rodeado de mágicos arabescos... munido de asas para atender a missão de um anjo...um menino...princesa... – a de ensinar-lhe o caminho que deve tomar...Forjado na pele feito tatuagem...agulhas em micro-furos que alinhavam e sangram superficial definitivo...mapeando este fundo do mar...beirando a superficie do olhar no pedido - me faz um desenho...Salta docemente pelas ondas brilhantes prateadas...o cavalo marinho...disposto a cavalgar seu corpo inteiro...subindo dos pés aos cabelos...visitando cada lugar...escondido entre algas macias...esconderijos de poucas visitas....no balé de delicadezas aquáticas...desenha o caminho...de descobertas...encontros...realização.

Fuga do trivial


...seu deleite...a fuga...sua escada e janela...o ato de escrever...Sua fantasia...se encontrar nas cores das palavras...nas linhas que percorrem a inspiração conduzindo-a ao lugar...outro lado...não trivial...Seu objeto...a vontade...a inquietação desacomodada e tudo que a alimenta e mantém conectada ao inusitado...vanguardista...lugar incomum...o não pensando...o não falado...cantado...escrito...o não desenhado...experimentado...saboreado...o não encontrado até que seja ela a descobrir...sob o foco de sua imensurável lupa das mãos, do olhar, do corpo inteiro a buscar...e traçar...montar num esquema mágico...as palavras – preciosidade que não levam de nós quando arrombam descuidadosamente nossos cofres...aqueles que não as descobriram e acumularam nos seus...E então a paixão que sufoca os apaixonados pelo desejo de possuir seu...o outro...vem nela se hospedar...repousar na varanda do seu poema...nos telhados de suas idéias...balança na rede suspensa seguramente no motor de sua alma...e então ela...a paixão vira fluido vital...sentimento...alimento...e levita nutrindo a alma insatisfeita acostumada a vaguear entre o trivial e o vil...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Conversa

Suê-foto Suê-2011
Naquele dia ela resolveu ter aquela conversa consigo mesma... um assunto sério que passava a ocupar grande espaço de sua preciosa tranqüilidade... sabia que conversas assim são sempre marcantes...pois deflagram momentos transitórios nas vidas dos interlocutores...talvez por isso adiava tanto...ou ainda...fingia ignorar que ela, a conversa,  fosse necessária...ou ainda procurava minimizar o que a fazia assumir que era preciso ter a conversa...isso era o mais comum acontecer...e ai...na tentativa de ignorar... esperava que passasse...dizendo pra si mesma: vai passar...confiante na idéia de que o tempo acomoda por si só... empurrando aqui...afastando ali...subindo um pouco...descendo outro...uma sacudida no quadril uma espremida entre os extremos...e pronto...tudo se ajeita...de algum jeito...e sem precisar a conversa...que era sempre tão exigente e dura em se tratando do consigo mesma...Tinha no entanto uma certeza...a de que ao resolver conversar...o faria consigo no colo...se abraçando...se fazendo sentir segura...amada... suave nas palavras...nas perguntas...ah!... as perguntas...sabia o quanto elas são terríveis quando querem respostas...e em se tratando de consigo mesmo...chegavam a ser cruéis e ferinas...E então...decidida... toma um cálice de vinho agradecendo pelas uvas e seus inumeráveis néctares...seguido de uma deliciosa xícara de seu costumeiro chá...duas rodelas de maçã...uma castanha...e então... alimentada...toma um banho quente...se aninha no próprio colo e adormece silenciosa a mente de natureza ruidosa...Ao amanhecer...constata que a conversa tinha acontecido...e dela...seu teor...de nada se lembrava... nada! Ficou sim o sabor da uva, da erva...da semente...Teve de fazer outro projeto com o mesmo tema: a conversa que preciso ter comigo...e ficou novamente a esperar a hora de conversar...ensaiando...adiando...brincando com outras conversas mais lúdicas e amenas...ficou assim...até amanhã no final da tarde...até a semana que vem...ficou...Está.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Outra eu...mesma


foto Suê - outra eu - 2011
Desde muito criança...alimentei a absoluta certeza de que ao mesmo tempo histórico porém num lugar outro...que não poderia imaginar onde...existia uma outra eu...vivendo exatamente as mesmas coisas... mesmo tempo...usava as mesmas roupas que eu...tinha as mesmas perseguições fantasmagóricas que constroem o medo na infância...O tempo foi passando e nós duas crescemos juntas... separadas... confidentes...Dos castigos infantis e mazelas da infância e adolescência partilhávamos...Meu único irmão não entendia essa história e eu tinha pena dele por que era tão sozinho no mundo...não tinha um outro ele...Minha outra eu só era lembrada nos momentos difíceis...na tristeza... não pensava nela e na sua alegria...acho que era por que ela também não pensava em mim...Me tornei jovem, adulta e ela se distanciou de mim...comecei a perceber que não podia contar com ela...como gostaria...tinha que tomar decisões e acreditava que ela também mas o que eu queria mesmo era saber o que ela havia decidido para me ajudar na minha decisão...não conseguia isso...a interlocução passou a ser com o primeiro namorado com quem falava dela sempre...pra ver se ela também fazia o mesmo...não queria que me esquecesse...bem mais tarde tentei encontrá-la na minha pintura estar com ela...a outra eu...depois na literatura...poesia...na vida acadêmica...publicações...ela foi sorrateiramente desaparecendo....minha vida se ocupava a cada dia de tantas outras coisas reais...Tentei trazê-la novamente ainda mais uma vez...e no dia que mais precisei dela pra salvarmos nosso herói do holocausto...não veio ao meu encontro...fiquei só...chorei só...cantei sozinha no seu sepultamento nossa canção preferida...me fortaleci só...Não me importei mais com ela...nem ela comigo certamente...não sei pra onde foi...mas em mim seu lugar foi definitivamente tomado...por mim mesma... a que sou.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Angelitude


Menininha do meu coração...Foto Suê - 2011

Ela acorda como sempre que dorme em minha casa...as seis horas da manhã...salta de seu berço...atravessa a porta e o corredor que leva ao meu quarto...pezinhos nus...gelados...não tem três anos...chega pertinho de minha cama e me convida...vamos esperar o dia acordar comigo...o sol ainda não levantou...que tal ficarmos sentadas como sempre...esperando...É Anita a menina que veio para nos tornar todos meninas...Salto da cama e a tiro do chão frio...saio com ela nos braços para não acordar as pessoas que ainda dormem ...e vamos então iniciar o trabalho de acordar a casa inteira...os quadros da parede...os móveis...os brinquedos que ficaram espalhados...por fim...o quintal...as árvores...a Branca de Neve e os sete anões que dormem no jardim...Nos sentamos na varanda e esperamos...Ela não para um minuto de falar...e então meu domingo começa cheio de música na sua voz...e de ternura na sua angelitude...

Nome para coisas sem nome

Foto Suê - 2011
Busco incansável a escrita de um outro jeito daquilo que é sempre...do mesmo...falar da mesma coisa de um jeito avesso...Estavam lá as palavras...prontas para dar sentido a coisas que não tinham sentido algum...um nome para aquelas que não tinha como chamar...por isso...ficavam sozinhas amontoadas sem cor...forma... prostradas...a espera do inusitado...como se fosse óbvio...e então vem o poeta com sua maleta cheias de palavras...diversificadas...novinhas...inventadas...
recuperadas de textos antigos...poemas clássicos...cordéis..um acervo pronto para a poesia concreta...abre a valise e olha novamente analisando profundamente as coisas sem sentidos algum...a valise abastecida de um rico vocabulário, organizado em ordem alfabética...e as coisas destituídas de sentido...olha para as palavras no interior da valise...e então sua expressão se suaviza...uma doçura que vem do olhar se derrama...se estende... num leve sorriso como quem encontra a palavra que dará sentido ao caos das coisas sem nome e sentido...como um compositor que junta notas musicais em busca da harmonia...vai orquestrando a construção de significados...escolhendo cuidadosamente cada palavra...sua singular função de adjetivo...substantivo...arquitetando a caracterização plural das coisas...em pessoas...sentimentos...lugares...linguagens... vidas incompletas...densas...silenciosas...secretas...dando-lhe o nome...a identidade...o significado... a completude...em fim um nome dado por ela: a palavra.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Manacá


manacá da serra...florada 2011.- foto Suê.
Longe de fazer do seu florescer uma rotina...meu manacá floriu novamente...Como faz desde menino ainda pequeno encheu-se de flores rosa, lilás e quase branco...Comigo a quase dez anos...já um jovem adulto...no início deste ano...numa cesso de crescimento exuberante atingiu alturas que colocavam em risco o telhado da casa...ponto inatingível por minhas mãos que sempre cuidaram de sua poda...Numa atitude necessária...irracional...chamamos um jardineiro para cortar a parte alta...fiquei acompanhando de perto a operação...o uso de uma serra manual foi fracassado e uma lasca enorme sangrou o tronco principal...senti no estômago a dor daquele tosco movimento e conseqüências...o arrependimento veio a galope...olhei pro telhado e perguntei a ele...feliz agora...não corre mais risco...e nem vida vc tem...é de barro...me fez cometer essa tolice...Fiquei ali por um tempo estática...predadora...homicida...Olhei pra ele pedindo perdão e o vi todo sem graça com sua copa mais agressiva no carregamento das flores na época da florada...decepado...traído...envergonhado. Fiquei pensando...com certeza neste ano e nos próximos ele não vai florir...não me dará tão logo essa alegria...se limitará ao verde...sem suas lindas e matizadas flores...É o que eu faria...em seu lugar... Mas como as árvores são sábias e não existem para nos agradar e sim para cumprir sua finalidade vital...ele floriu...está lá agora arrebentando botões sem parar...e então sinto crescer minha inferioridade...e o temor por não merecer essa preciosidade que habita meu jardim...sempre fiel ao seu florescer...ainda que o meu se limite tão parcamente a admirá-lo...

domingo, 19 de junho de 2011

Via Sacra

Via Sacra - tela de Suê Galli - foto Suê.

Numa via nada sacra que a vida nos coloca...estava eu numa cidade pequena de nove mil habitantes... onde todos se conheciam...Estranha...a arte mais uma vez me integrava...A cidade... ladeada por morros numa geografia peculiar...trazia no percurso de um deles...marcos das estações da via crucis de Jesus...as estações do calvário que culmina no cruzeiro...alto do morro de onde se avista toda a região... trajeto que a igreja católica faz sua procissão da semana santa... esse lugar existe...Vivi ali uns quatro anos...de minha vida simples cercada de meus três pequeninos que me traziam Rousseau...o filósofo da educação e suas elucubrações com seu Emílio...com eles exercitava todo tipo de atividade lúdica e artística...me acompanhavam na pintura...viviam com as roupas marcadas com tintas de mãos apressadas a socorrê-los em meio ao trabalho...Nesse contexto nasceu via sacra minha primeira tela premiada nos salões que participei...parte de meu acervo...continuou vida afora...hoje vem morar neste espaço virtual...Preciso dizer ainda que esse estilo de pensamento e de vida atraía outros artistas e jovens curiosos da cidade...queriam partilhar arte...Na via sacra pintada o teatro e a música ganharam lugares de relevo...numa representação de rua...levou a cidade ao êxtase na sexta feira santa...espetáculo que criamos com simpatizantes de nossas idéias....depois o festival de mpb premiou a viasacrantada letra inspirada na obra plástica...musica da compositora e intérprete que ocupou com muita fibra o espaço da composição musical que nasce das minhas pinturas...poemas...mente inquietamente insana... nessa via sacra sem direção definida...via apenas...mão dupla...risco...sem total segurança...cheia de esperança...

sábado, 18 de junho de 2011

Onde acende a luz...

...uns trezendos degraus...Foto Suê 2010
  Na ante sala do desconhecido enquanto tateava as paredes num contorno cego milimetrado em busca de um ponto de luz minha mente qual farol focado no desejo de conhecer percorria as direções no afã de ver no escuro o que a claridade artificial distorceria possíveis visões. Não era simplesmente o interior daquela caverna urbana que a luz elétrica mostraria, era outra a revelação: mais delicada, sutil, vital...Eu ganhava tempo suficiente para pensar em Gláucon guiado por seu mestre Platão numa experiência no mínimo invertida: mestre e discípulo.Em meio a excitante sensação que antecede o prazer da descoberta pelo então pesquisador fatigado das jornadas intermináveis de busca ao saber, a luz finalmente acende a tudo iluminando com seu fogo fluorescente. E então, protegida das intempéries e modelos sociais ainda guiado por Platão no seu invertido papel em posse da luz, seu saber, eu Gláucon na minha ignorância passei a subir os quase trezentos degraus em direção a uma alcova onde meu corpo torturado pelos três mil metros de nado livre, cronometrado, tombava lentamente, parte por parte até quase inteiro. Declaramos feriado ao faroleiro, descanso ao farol e, cerrando as cortinas do olhar acalmando a insana mente, adormeço. No sonho localizo e mapeio todos os interruptores de luz existentes na escuridão de minha ignorância.Faço um hipertexo com todos os links que me levam aos saberes necessários para se conduzir numa caverna urbana: seus mitos, valores, preconceitos, desígnios...E então, como prova de solidariedade aos que buscam o lugar seguro para se abrigar as ideias, e não sabem onde acende essa luz publico no meu blog. Me despeço de Platão, dou adeus a Gláucon, agradeço a paciência e capacidade de explicação. Serena permaneço eu mais consciente ainda dessa minha ignorante escuridão. Tomo um chá, dou uma deliciosa risada e durmo de novo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Milésima vez

foto Suê - 2010 (Portugal)
    Pela milésima vez me pego a enfrentar moinhos de vento com minha lança de vidro...e vejo Sancho  Pança distraído com seus pensamentos sobre sua enorme barriga...deixando-me ao léu com minha pouca pequena sorte...chicoteada pelas pás cortantes dos moinhos que desenhei com carvão...e agora me atacam como inimigos irados por essa  teimosia de ser o que sou...gostar de pensar...fazer pra saber...sonhar pra sonhar...querer o que sou...brincar de Cervantes...ser seu cavaleiro triste...errante...montar o fiel  Rocinante...buscar Dulcinéia de mil faces...encontrar a minha...tirar uma foto...sair sozinha...pela milésima vez me pego a fazer poesia...com minha lança de vidro...

Eclipse

foto Suê 2011
O obscurecimento do corpo celeste pelo meu de reles poeta...mostrou-me o outro em mim a captar sentidos que me fogem a eles...significados que confundem a razão...a emoção...princípios que desnorteiam...fraudam o mapa...sabotam o roteiro...armam ciladas...armadilhas...armaduras...interrogações... remetem-me a outro...outros...loucos...nietzscheanos ...seguidores de seus zaratustras...quixotescos... autores... E o ponto meio tonto e sem saber...alienado... faz a soma de mais um... a cada outra e mais outra... fertilização de ideias...arrumação de palavras...codificação...conformação...escavação de sentidos... escultura de sentenças...na falta de corpos...dá vida...concebe e anuncia a morte...confronta a calma...quantifica o quanto de novo...inovou...o quanto de velho... envelhou... E o conto condutor de...andróides...ciborgues...princesas...vampiros melancólicos...e bruxas...mulheres de mil faces...túmulos e epitáfios...lugares...cavaleiros presos na armadura...maçãs condenadas a verdura...silêncios...rumores...observatórios de nada...lua abandonada em dia de eclipse...em pleno eclipse total...

Maçãs verdes


Tela Suê - maçãs verdes...sem pretensão alguma de madurar
Todos  os dias dentro da mesma caixa de maçãs verdes nos encontramos para amadurecer idéias...numa rede sem fios e muitas tramas...diálogos se entrecortam de sentidos...mais falados do que sentidos...mais desejados que vividos... se formam retalhos... estilhaços  de significados...pedaços de pensamentos...incertezas...fatias de soluções tênues e frágeis...que mantêm  o verde ainda mais verde...das idéias a madurar...e da caixa de maçãs verdes saímos então num salto para uma tela de fundo verde a nos camuflar...e então deslizamos mesmo verdes...já sem tanta importância...ao nosso madurar...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Código binário


tela Suê - ciberespaço- objeto de pesquisa pós-doutorado - UNICAMP 2006 - foto Suê.
...andróides nós... viventes humanos...sociedade formatada por eventos...no ciberespaço...escancaradas nossas janelas...reordenados nossos espaços...tempo...lugar...companhia...o invisivel de novo...longe dos olhos...em lugar nenhum... fora do entedimento perceptivo...do tato...do fato...do ato... universo paralelo de zeros e uns...processados pelo  conduite  do computador...projetistas anônimos...design de interfaces... maneira como escolhemos imaginar... comunidades on line...relacionamentos voláteis...meios eletronicos... acessos remotos...virtualidade...virtualmente espontâneos... trânsito de informação...conhecimento duvidoso...caixas vazias...vitrines frias...interconexões...complexas interações e interdepência...comunicação...auto-aprendizagem...transgressão de fronteiras...tecelagem de ideias que ultrapassam o pensamento linear....múltiplas dimensões...hipertextualidade...ciberespaço...ciber eu..tu..nós...ciber eles...ciber ninguém...nenhuma face...nas interfaces... inteligências artificais...coletivos analfabetos funcionais...contraponto... interpretações partilhadas...diálogo com o nada...com um ...zero...um...zero... zero...código binário...chamando...
...o mau não é ter uma ilusão, o mau é iludir-se (Saramago)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Epitáfio


foto Suê 2011
De um poema antigo... recupero minha paixão pelos epitáfios...os escritos nas tumbas dos mortos nos cemitérios antigos...que ainda hoje reservam a arquitetura do espaço privilegiado das lápides...suas capelas...leitos de pedra e bronze...jazigos que definem a classe social do morrido...morto...em contraste com os modernos necrópoles sem lápides...nem anjos de mármore com suas trombetas anunciando a despedida...ou a chegada... protegendo o sono eterno dos restos mortais...que não dormem mais...agora apenas uma placa fria de metal com a identificação local... perdida num gramado... tudo igual....a morada dos mortos foi enquadrada num modelo arquitetônico padrão...fim dos epitáfios e sua conjecturas...palavras que tornam o morto um santo...o covarde...herói...sonetos de amor...manifesto da saudade... lembranças dos que ficaram...Epitáfios...esses pequenos escritos que continuam cochichando palavras de despedida...sussurrando para embalar o sono eterno...como um eco do que restou...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Arma dura - armadura

Escultura Suê - foto 2011

...de ferro a proteger... a armadura guarda nela o corpo...a mente...a alma do cavaleiro amedrontado...armado em sua armadura...aprisionado na própria pele...sob os grilhões do próprio punho...sob a sentença da própria lei...auto condenado pelo seus crimes...absolvido pelos seus bens...na armadura guarda... os caminhos que percorridos... não chegam a ninguém...e segue assim...prisioneiro...da própria vida em busca... da trilha da verdade oculta...na fresta de luz...no pouco de ar...se move enrustida estatueta...no lento e difícil caminho...a desaferrolhar...tirar o peso...da sombria rigidez que cobre-lhe...da carne a nudez...escapa-lhe dos olhos...na penumbra... resolve querer...naquela armadura não mais viver...e ao libertar-se da própria prisão...experimenta então...ser cavaleiro sem arma...razão...emoção...direção...e sem proteção...ao conhecer-se então novo enigma...revela-lhe certeza segura...da única saída.. ainda que impura...a de retornar pra sua armadura...

sábado, 11 de junho de 2011

Várias em uma...quantas em qual

Faces - Releitura de Foto Suê
...As faces da mulher oculta...ocultam mil faces pra ela se ocultar...Em uma dessas faces...a face oculta...em outras...quer se mostrar...e várias dessas faces ocultam a face que não quer mostrar...mas muitas delas também são faces fáceis de se mostrar...e então nas faces que se mostram nuas...ocultam faces tantas quantas se mostrar...e entre as faces da mulher oculta...encontram-se fáceis as faces pelo seu olhar... 

Aviso

As máquinas e as minhas lentes  - Foto Suê 2011
Entranhas da máquina espreitam pelas lentes da minha...o olhar que busca a forma...a cor... a estática estética...Elas ficam lá...as máquinas compondo o cenário em construção e a espera daqueles que buscam um lugar para estar...ver...sentir...admirar...fotografar...Passado e presente misturam-se com o vinho dos tóneis oferecido ao visitante...demolição do passado...redefinição do presente...do lugar...do antigo no novo antigo... e Eles...seus mentores e arquitetos...pedreiros...marceneiros...serralheiros...músicos celestiais...e um astrônomo obeso nada sensual...ficam também...com as engrenagens...na tarde que desistiu de ser fria...no olhar da boa companhia...no sorriso do Coringa a espera do herói que  Batmam a porta do poeta e avisa que o lugar é esse mesmo...pode entrar...ver o que quiser ...e sair voando a procura do toque de um sino... que avisa... algo rompeu o universo escuro deste lugar...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O tempo...o espaço...o lugar

quando um lugar - foto Suê 2011
Quando será...o que ocupará...onde será...pra quê...com quem...
...na dúvida do quando...procura-se o onde...
...em posse dele...desenha-se o pra quê e nessa arquitetura aparece o com quem e...
nele a dúvida do quando...e do quanto de espaço necessita o onde será...
...com quem nunca sabe o quando virá...

Sobre o silêncio

Silêncio em chama  silêncio- foto Suê - 2011

...a alegria, o amor, a cólera, a esperança impressionam mais pelo silêncio que os acompanham do que por discursos inúteis, que só servem para enfraquecê-los... o silêncio encontra-se repleto de chamas expressas em palavras...sons...vozes...música...quando a sua volta grita a paixão e o desejo... reina a meditação e a serenidade da alma...quando sua essência silenciada ecoa invadindo todo o ser...sacudindo ruidosamente as entranhas...alarmando a calma conformada...gritando silenciosamente o furor da vontade contida...da luta escondida...da palavra subtraída em seu ruidoso sentido...captando no silêncio o alarido do peito em fanfarra comemorando o encontro...de almas...de corpos...de idéias e utopias...do silêncio fruto do rumor silenciado da língua...que dança ruidosa no beijo...e pede silêncio... 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Passagem

Séculos de registros da passagem por aqui... afrescos...pedras esculpidas...mensagens escondidas...histórias de tragédias...amores...vingança... conquista...o homem não para...não para não...não para...
o tempo também não...o que fica então...dessa passagem inescrupulosa...desmedida...assinalada com sangue...a história...humanidade...seu ponto de chegada...sem rota definida...e o planeta...sem graça... arrependido de tê-la acolhido...reclama entredentes com as armas conhecidas...furacão... terremoto...inundação...
...o que deixará a humanidade para o último... depois de apagar a luz...
haverá por acaso...ou não... resquícios de encantamento...beleza...criação inspirada no amor...na vida...na natureza um dia em harmonia...resquícios dessa estranha e estúpida civilização que envenena o próprio ar...condena a sede...extermina o verde...
...mostrar-se-á a terra traída dissecada em sua própria hospedaria?...vingar-se-á da humanidade tal qual musa enfurecida pelos descasos...infortúnios pelo hóspede causados...espelhos quebrados...recuerdos abandonados...presentes devolvidos...e-mails deletados...arquivos queimados...luz desligada...vela apagada...porta cerrada...partida perdida...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Incompletude


Auto-foto - Suê - Firenze - Itália - 2010 - Definindo personagens na sua incompletude...
 No cenário de um sonho surreal a tarde ensaia o mergulho no lago sereno de águas quase paralisadas...entorpecidas...silenciosas...O rumor vem do peito e remete a uma só direção...invade caótico... a tarde teimosa em ser calma...As árvores com seus cabelos longos caídos sobre as águas...lambem aquele  frescor ...no esforço empenhado de saciar-se ...No olhar de personagem um apelo...nas mãos uma fuga...no corpo inteiro um tremor desajustado...na respiração atropelos e desacertos...Em cada gesto... o risco do toque e do encontro se realiza...Um desfecho provável se aproxima, se anuncia...para matar a sede...fome...ilusão...desejo...imaginação...e então baixar as cortinas e ouvir os aplausos...escrever o posfácio...Porém, escondido entre as peças do cenário...estava ele...o vilão do sonho...o pesadelo...a espera de entrar na cena e fazer o seu breve e eficaz papel de esculhambar com aquele romântico e piegas script... em que o autor, no deslize da inspiração vulgar... se arremessou...se perdeu...Fora do cenário...da programação...do cartaz...da fantasia...fora do coração...o personagem continua sua determinada busca por um papel...o autor, por sua vez...continua a alimentar a faminta insaciável loucura de roteirizar ficção...de viver utopias...Ambos permanecem inquietos e desacomodados na sua incompletude...na inspiração...