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domingo, 22 de maio de 2016

Pedaços




















...soltos sobre a mesa, a varanda...pelo assoalho do sótão, entre os livros,  entre as fotografias do álbum da família, sobre a bíblia... Os pedaços de minha historia se espalham livremente...marcam datas, cenários, festas com vestidos colados ao corpo, soltos pelas pernas, varrendo o chão do tempo; pedaços meus despretensiosos de se juntarem num quebra cabeças...pedaços das leituras, dos filmes, dos amores pela vida afora, tantas eu!!!Pedaços! Soltos  trombam-se pelo ateliê, esparramam-se entre as almofadas sob o sol da vidraça, percorrem todo espaço entre telas pintadas, panos bordados, riscos traçados,  numa festa regada a êxtase, pedaços dos meus sonhos...loucuras de cada idade, pedaços de saudades!!!

Estava lá.

Batia insistentemente a  porta,
O longo tempo em que estivera trancada por dentro, pra que ela não voltasse a entrar, emperrou a dobradiça, dilatou a fechadura...
Agora a chave rodava sem rumo, como ela, sem efeito.
Precisava  entrar. 
A chuva gelada caia forte batendo nos pés, subindo corpo acima, abaixo... enregelando por inteiro. 
A unica maneira de entrar seria que alguém de dentro abrisse...Mas não havia ninguém. Desde que partira sem data pra voltar...
Precisava entrar. Aconchegar-se nos aveludados pensamentos compostos de suaves melodias, acariciar os sentidos com o perfume da relva fresca, das ervas milagreiras...a ventania forte  abrira uma passagem invadindo  o ventre...fazendo-a contorcer-se...
Desesperançada, entregue ao silêncio fatal... ouve passos em direção a porta...move imperceptível a maçaneta e aos poucos...num tempo de eternidade...a porta vai se abrindo lentamente... sofrega desprega os  olhos do chão e levanta a cabeça para ver quem a salvara então...e se vê frágil mas firme e bela a estender-lhe os braços acolhendo-a. Ela  estava lá!!! 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Um lugar na parede


Bairro Castro, São Francisco, EUA
Nas ruas demarcadas pela identidade revelada como autêntica, sob o sol escaldante de julho, a sede nos toca a garganta e a ideia de entrar num pub e saciá-la  gritava!
Entramos. O ambiente escuro e fresco, conversas de todos os lados se cruzavam em nossa direção, mesas quase todas ocupadas. Um  lugar incrivelmente fascinante captado pelo olhar na  experiência de estar ali! Tão longe de casa! Tão perto de realizar sonhos inusitados, lugares estranhados, fronteiras entre valores desatinados pela modernidade. Não há como não pedir uma cerveja num lugar assim, mesmo não sabendo beber, muito menos escolher. O calor escaldante estimulava o atrevimento. Pedimos  a cerveja para dividir porque somos fracos demais para beber...! As paredes atraiam com suas cores e coisas nelas. As pessoas nos olhavam simpáticas. A sede passou mas lá fora seguimos sob o sol pelas ruas do charmoso Bairro Castro!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Emaranhado de nós

emaranhados de nós 

Meu blog quase desapareceu de mim
De vez em quando ele faz isso para me aterrorizar ou para me avisar que estou me perdendo num emaranhado de ambientes e senhas, nós e conexões, com risco de não mais me encontrar.
Hoje foi assim, fiquei minutos intermináveis, inúmeras tentativas, desacertos, e a sensação do vazio, oco e frio.
Meus escritos perdidos, em algum lugar, esperando que eu os encontrassem. Temendo não acontecer.
Mas eles me acharam de novo e agora estou aqui acariciando cada texto, cada palavra, cada imagem...
Ahhhhhhhhh sensação de viver o labirinto binário! Desconhecido! Cada acesso uma possibilidade, cada engano uma certeza de que não existe certo ou errado!
Ahhhhhhhhh manhã maravilhosa de blog reencontrado!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Clarice na tarde


CLARICE debruçada sobre as linhas coloridas de seu bordado, solta voz pensando alto:
Ah! Vontade que me deu nesta tarde de voar pela janela mais alta de minha torre e planar feito águia, dona do tempo, do espaço e do futuro. Planar silenciosa e imóvel sobre as nuvens, sobre o mar, sobre mim mesma. 
Voar sobre a cidade perdida que sou em tardes como esta.
Voar sobre mim mesma e me ver...lá de cima, desprezar minha pequenez e covardia...e de lá, ver meus versos, tortos sem rima e perdidos de mim e dos sonhos que carreguei até aqui...nesta tarde fria e sem janela alguma pra deixar a brisa entrar pra me ver assim...empurrando a tarde pra que se vá depressa...do dia, de mim... antes que a janela mais alta de minha torre me alcance, me tome nos braços e me atire feito flecha perdida sem rumo...nessa tarde sem fim...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Secura em flor

A flor secou antes de murchar. Estava distraída, brincando com outra flor quando o riso que era um brinquedo, ecoou para além das janelas... todas abertas. Atingiu outra flor ressequida pela dor do pensamento ferido, do perfume ausente, do orvalho esquecido, da primavera sem cor.
Fulminada por raios ensandecidos, a flor não teve tempo de murchar...secou. Arrependida nunca mais ouviu seu riso, e nem o da outra flor com quem costumava rir,  mesmo porque flor seca não ri, não brinca, não se despe para a chuva, não respira, não perfuma, não adorna,  se reduz a secura em flor.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

de brinquedo

Era tarde que pequena crescia pra ser noite, pra ser dia.
Clarice abre o envelope a ela endereçado. Um aviso de como se portar quando das janelas abertas.
Um farol sobre os equívocos a sua volta, mágoas, invejas revolta!
Intriga dessas que se sente pelo azedume das palavras
pelos rodeios que disfarçam o sentido das frases. Dessas que nascem vítimas  da escuta espiã, silenciada, muda e pronta para o ataque.
Era alguém se aproximando com sinais inquietantes, com sentenças afiadas, arremessadas em sua direção. Bem que podia ser uma cobra de brinquedo.