Follow by Email

Total de visualizações de página

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Obsoletismo

Mais um roteiro caia sobre a pauta dos meus registros, ameaçado pelo obsoletismo que tem rondado dia a dia meus escritos...
O ritmo  da criação contraria o compasso da realização condicionada ao tempo, espaço e suas interlocuções...
Projetos de sonhos idealizados para concretizar utopias de uma existência que ultrapassa o simples viver...
Rumo ao viver significativo e potencial de fecundações outras, que não a do simples viver simplesmente a vida que nos foi dada...
Desta vez tratava-se da materialização das imagens de Montserrat em desenhos fotográficos...exigências que incluem outros lugares pra invenção... cumplicidades, co-autorias na criação de dois elementos, personagens sem lugar e tempo determinado, vivendo cada imagem numa superposição de corpos, pensamentos, almas...
Era preciso muito mais que um script pra ser roteirizado.
Era preciso penetrar a subjetividade do propósito...leitura apurada dos sentidos e das revelações que se mostram na inspiração movedora desse invento.
Por que Montessert Gudiol? Que mistérios guardam essa obra em seus vazios impenetráveis pelo expectador distraído, sonâmbulo da noite dormida aos pedaços...
Percebi de pronto as lacunas do propósito e vi nas personagens de Gudiol a indicação do caminho pra meu invento...deixei de lado a dupla de personagens costumeiramente grafados por ela, tomei a figura solitária e feminina.
Uma mulher no seu extremo da feminilidade, absorta entre as laterais do portal imaginário por onde atravessaria a margem do rio...
Foi por mim a escolhida...trouxe-a comigo retratando-me a mim mesma no tecido que a aquecia entre meus dedos a fiar e colorir  seu contorno e cenário, que lhe dei, com flores inexistentes nos catálogos oficiais, uma árvore sem folhas, e que não sombreia mas que acolhe e sustenta as parasitas, orquídeas floridas para sempre, a embelezar seu entorno contornado pela inspiração e beleza, elementos das quais jamais abandonaria.
Era preciso ainda que Ginógrafa viesse diversificando seus instrumentos da escrita e com eles tingisse, aguadas cores subtons, destonadas nuances, elementos escondidos no silêncio que habita mais um  sonho...transcrito e costurado entre tantos...salvo do obsoletismo, por que realizado na pintura, bordado, espectro literário...amadurecido para que o outro seja então retomado: a edição fotográfica das duas personagens entrelaçadas num vínculo fadado a perpetuar no ideário da artista, sem riscos do descarte da obra, da ideia, pelas limitações de mais um roteiro criado no afã da inspiração que remonta sonhos em larga escala de invenções, ritmos acelerados em descompasso com o tempo viável de suas realizações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário