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quarta-feira, 28 de março de 2012

A Sísifo e o amor

Escolhera a maldição de Sísifo pra explicar seu jeito de amar. 
Precisava de tudo e de todos pra ajuda-la mover a enorme esfera de pedra montanha acima e fixá-la no topo de onde poderia então descansar seus dias e saborear a brisa mais suave e pura a pairar sobre os altos...
Missão de todos os dias...
Esforço continuo e permanente.
A cada passo rumo ao topo, o vislumbre do amanhã, na realização dos sonhos... No entanto, ao quase atingir o cume, o cansaço é aumentado pelo íngreme do solo inóspito das pedras outras tantas do caminho.
Ao ajustar as garras presas fincando o pé, força toda, braços e pernas, um deslize e então toda a jornada é perdida, rola montanha abaixo a enorme esfera enterrando-se na lama tornando ainda mais difícil o recomeço da subida...
Hora de curar as feridas causadas pelas ultimas tentativas...encontrar o aconchego que amorna o coração e deixar molhar a face ressequida, bonsai agonizante...beber na fonte da esperança, aprender os ritos da fé e recomeçar a jornada a empurrar para cima os sonhos..até rolar novamente...
Precisa de toda ajuda pra mover seu amor fazendo-o refletir nas estrelas... Ocupar o firmamento...
Transgredir a galáxia dos astrônomos e cientistas, poetas loucos...
Amor que exige o esforço de rolar montanha acima, a pedra que teima rolar abaixo... testando sua coragem de amar desmedida, cada motivo de viver o sonho, e com poesia, cada minuto da vida.

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