| Foto Suê 20101 - Gordes -Fr. |
domingo, 31 de julho de 2011
Poucas, nenhuma palavras
Procura-se
| Foto Suê obra Matisse Museu Nice França - 2011 |
sábado, 30 de julho de 2011
Carta
| foto arte Suê 2011 |
Espero que esta lhe encontre com saúde e feliz.
Escrevo-lhe depois de tanto tempo utilizando o correio eletrônico, conversando no espaço on line e constatando o quanto nos faz falta essa delicadeza de um tempo em que precisávamos do mensageiro pra nos conectar a lugares e pessoas distantes. Trocamos a espera da carta no envelope selado e escrita cursiva, pelos teclados e correios eletrônicos . Dispensamos aquela caixa onde guardávamos cartas, postais, bilhetes de amor e segredos...
Não nos vemos a tempo, mas sei que partilha dessa preocupação com os excessos da tecnologia e as facilidades que dificultam cada vez mais, o encontro entre pessoas que apostam nas trocas que a relação de amor e de amizade promovem. Vi uma teleconferência sua sobre isso e me motivei a escrever essa carta.
Notícias suas só pelo facebook, atividades no twiter, blog e o endereço do seu fórum profissional no lattes...mas não nos vemos há muito tempo...A foto digital tem hoje seu papel de cúmplice a sabotar a saudade e o desejo das pessoas de se verem presentemente. Ela também nos engana ao mesmo tempo que nos distrai. Não sei nada sobre você pois, tudo o que sei é virtual e não sei desse tudo... o que é real. Da última vez estava com os cabelos claros e fazia luzes douradas...uma vaidade sua que achei peculiar...na época eu usava os cabelos rubros e ao natural... nunca fui muito de salão de beleza...só mesmo quando tinha uma banca examinadora que deixaria minhas mãos sobre a mesa aos olhos de todos ou quando paraninfa nas formaturas da Universidade...ai sim cabelo...maquiagem...pra prestigiar o álbum de fotografias das pessoas que não tinham nada a ver com meu demazelo. Hoje desfruto da liberdade de estar como sou e gosto...trabalho autônoma e grupos de pesquisa colaboradora...não escrevo mais livros técnicos assumi minha veia poética de vez...perdi meus pais...órfã sai a procura de mim mesma na literatura. Mas isso não vem ao caso agora.
O motivo de escrever-lhe é romper essa rede on line e principalmente combinar aquele chá que nos prometemos quando nos encontramos naquele Congresso de educação e lhe contei sobre as descobertas literárias que estavam redefinindo rumos de minha escrita...lembra? Na ocasião você se animou e até sugeriu uma criação conjunta...mas havia iniciado seu mestrado, tinha muitas dúvidas...já deve ter terminado...seria bom conhecer sua pesquisa mas, gostaria mesmo era de saber se está feliz com o que tem feito...Tenho muita coisa pra lhe dizer mas temo ser inoportuno. Conheci uma pessoa nos últimos anos num intercâmbio acadêmico na França e me apaixonei...vejo em você a pessoa com quem conversaria sobre isso...pois sei também que é de muitas paixões...lembro ter falado sobre isso...estava terminando um caso de anos...Espero também que esta carta te encontre em meio a uma paixão dessas fulminantes que tiram o sono...confundem o sonhar com o pensar, o desejar, nossas invenções e a própria realidade.
Aguardo sua resposta para saber se podemos nos corresponder...se podemos providenciar uma caixa para nossas cartas, postais e segredos...e qualquer dia tomar o chá que nos prometemos...mas principalmente saber se esse endereço ainda é o seu...ou se o seu endereço ainda é o mesmo...
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Azul turquesa
O trabalho intenso da noite anterior acabara com as tintas de maior uso na tela que ganhava sinais de finalização. Faltavam várias delas na paleta de cores. A tarde caia e a noite não podia chegar sem elas tintas e pincéis faltantes. Não teve dúvidas, retocou o batom...pegou a carteira, chaves, documentos, garrafa de água e rumou para o centro da cidade...casa dos artistas...abastecer seu estojo desfalcado. A tarde estava linda...ao chegar foi direto no setor das bisnagas de mil cores que a deixam embriagada de inspiração para pintar...ao chegar teve de esperar a pessoa que estava diante da prateleira impedindo-a de se aproximar e escolher...Ele olhou pra ela rapidamente depois para as tintas...de súbito olhou novamente e parou o olhar sobre ela inteira e sobre seu rosto e ficou assim...Ela então para fazer alguma coisa, o cumprimentou olhando para as tintas que ele tinha escolhido dizendo: são pra você? Ele não respondeu e continuou encarando. Era lindo... uns cinqüenta e qualquer coisa, alto, moreno, cabelos bem curtos, barba cerrada, calça jeans e uma camisa pólo, meio sujo, meio limpo, dava pra imaginar o cheiro...preferiu não imaginar...Ele recuou dando um espaço pra ela que foi direto nas cores que precisava...ele a olhava e tornava a pegar outras bisnagas, as mesmas que ela escolhia...De repente num gesto espontâneo ela diz...olha essa cor está com nome errado...ele diz: é azul turquesa...ela diz... não...não é...essa é azul cobalto, turquesa é mais claro...Ele macho demais diz: vou ver...e abriu a bisnaga (coisa que não se faz) com a força das mãos acabou espirrando tinta entre os dedos...ficou sem graça e disse pra ela...A culpa foi sua! E ela diz...minha? Eu só disse que o nome estava errado... se você quer o azul turquesa leve este que apesar de outro nome é a cor mais próxima do turquesa...Ele novamente com ar de macho mas sedutor...disse vou levar este mesmo! Ela não contém o riso e diz...tudo bem se for pra você, mas se foi alguém que pediu pra comprar...vai ser uma decepção...eu sei o que é isso! Então ele diz... vou levar este mesmo...e ela retruca...tudo bem está comprando um nome e não uma cor...Irritado ele diz: Estou comprando a cor! Azul turquesa! Ta aqui ó! Nossa... ela fala...Então ele sorriu deliciosamente e disse a ela...vou indo...prazer...fique bem, sei que vai pintar a noite inteira...está com cara...Ela ficou muda. Foi para o caixa e de longe ele ainda olhava pra ela meio sorrindo meio truculento... Como a tarde estava sem pressa e ela também, entrou no bar próximo pra tomar um suco de melão com hortelã e lá... no burburinho da sexta feira que promete uma noite linda por inteira... ela sente um olhar sobre seus ombros e volta-se...era ele! Com os dedos ainda sujos da tinta de nome azul turquesa, mas de cor azul cobalto...segurando copo de cerveja...olha pra ela, olha os dedos sujos de tinta e falou labialmente...culpa sua! E a noite de sexta feira foi longa...ocupou a tela inteira.
| foto Suê 2011 |
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Sombra da árvore
Havia um jardim esperando num banco de praça alguém pra conversar sobre coisa alguma e olhar o sol que projetava árvores em forma humana como parte da paisagem. E à sombra da árvore de forma humana um caçador de imagens sentou-se pra descansar sua câmera e viu deitada na relva a sombra...lembrava tantas outras... Estava sozinha e exausta da ventania que acabara de enfrentar... precisava mesmo era de uma chuva de chá pra se restaurar, e o repouso sobre a relva em companhia das flores do lugar... Curioso o caçador de imagens percorre colado a lente o olhar e a vê por inteira...árvore frondosa solidária em sua sombra...companheira...Fica ali por indefinidas horas a conversar com ela indagando sobre sua história e planos...até o sol se esconder e ela com ele desaparecer...O caçador de imagens se vê então na mais completa solidão, levanta-se despede-se da relva ainda amassada pelo peso dela: a sombra espalhada, confere os ajustes da máquina fotográfica , olha em redor de si e fotografa levando pra ela a sombra que se foi na dele que ficou.
Modelo surreal
| foto Suê 2011 |
domingo, 24 de julho de 2011
Novo poema
A distância não era mais o motivo. A presença no mesmo ar, do mesmo lugar e mesma cidade, apertava os nós dos sapatos, das gargantas, dos laços pra presentes, dando uma nova cor ao que chamam saudade.
A rotina prosseguia serena e tranqüila sem se dar conta da ausência, seus ruídos e dias, idos e findos. Dia após dia tudo se seguia benfazejo cada dia, cada qual com seus ensejos, seus juízos... Calmaria.E como se numa corrida em que ela, feito atleta que mira o percurso e nele a reta da chegada, a saudade se posiciona, se apruma, se levanta e do nada quase nada, começa a contar regressiva a hora da chegada que não chega nem no dia e nem depois do outro, dia...nem depois de rompida a faixa que avisava quem vencia.
Então se inicia, outra etapa do percurso da mesma prova e corrida. Ela então competidora saudade, se prepara pra nova projeção da largada e da reta de chegada. A distância perde a relevância, o tempo ganha novos sentidos, a hora e o lugar ocupam o destaque nos planos de execução para se alcançar a vitória...isso por que a distância não era mais o motivo...
Ela saudade então personalizada , desliza feito orvalho na folha recolhida pelo poeta, presente da musa escondida, guardado, escapa pela janela da alma em liberdade, salta fora do tempo, do lugar, da realidade. Liberta dos limites instala novos horizontes, dá um telefonema, toma um chá e vai ao cinema...Volta pra casa, toma outro chá, abre o aquivo e retoma teimosa e feliz um novo poema.
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