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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Indefinido absoluto

foto Suê -2011 - Tributo a Rocinante
O que torna possível levar o sonho de Quixote  adiante é contar com ,além de Sancho seu escudeiro, também com o fiel Rocinante que o transporta sobre seu dorso pra batalha, e que o trás de volta no fim dela, exaurido, ferido, mas persistente. Rocinante representa a viabilidade ainda que tênue para os sonhos de Quixote, pois não teria como transportar-se, o corpo debilitado por tantas lutas, a mente adoecida de tantos inventos e proezas, o coração tremulante de amor e desejo de manter-se vivo pra continuar se inventando poeta...se vivendo a vida que sonhou... Interromper o galope de Rocinante é colocar em risco toda a poesia da humanidade pensante que constrói utopias das mais alucinantes. É paralisar Quixote na luta que trava pra salvar vidas que pensam poder viver sem sonhar um sonho impossível, um invento sem fórmulas, deserto sem mapa, sem pistas, sem bússola ou lupa que facilite a descoberta da trilha que leva ao essencial da vida. Quixote vem de novo cavaleiro da triste figura nada errante, pois só erra quem acredita na explicação exata, na certeza absoluta, na verdade inquestionável... na inspiração condicionada... Cavaleiro da triste figura? Triste? Nem tanto... sua tristeza é relativa... é uma melancolia de fundo, cheia de poesia que a justifica e a lança de novo na batalha contra os moinhos. Que moinhos? Os mesmos de sempre que explicam coisas, justificam sentimentos, planejam o por do sol, interpretam o silêncio, calculam o tempo, catalogam desejos, definem a ilusão, cobram exatidão, fazem gráficos medidores da emoção...Nessa batalha de Quixote, pra manter nos sonhos sua Dulcineia, essa louca que ele inventou com o vento que move os moinhos que o atacam todo o tempo...essa grotesca figura que ele finge ser a virgem dos lábios de mel, mas que na verdade o assombra e vez por outra, quando sai de sob seus olhos, o coloca em riscos todos os seus inventos, deixa-lhe na boca o gosto de fel. Rocinante fiel, sempre pronto ao galope rumo a batalha pra derrotar os que buscam assaltar Quixote, revelando-lhe a identidade de Dulcineia, mostrando-lhe a engenharia dos moinhos destruindo-lhe o sentimento de luta e conquista dos prazeres de sonhar, quebrando em pedaços sua lança, única arma de combate aos ladrões de seus inventos e  pra conter os moinhos de vento. Rocinante o cavalo de Quixote carrega sobre o dorso o peso da responsabilidade de levar ao outro lado e em segurança o próprio Quixote a travar sua batalha interior, com seus moinhos de vento que dentro dele fazem o maior estrago questionando sobre cada um de seu alucinado sentimento que não tem como ser catalogado nem respondido... apenas sentido indefinido e absoluto.

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