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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Poetizando fragmentos de 1997

Foto Suê - 2010 -  bar na rua Lyon, França .
mesa vazia de pessoas...

Ser poeta na pós-modernidade
É compor versos vanguardistas
Da emoção virtual

Prá falar deste tempo e resistir em sonhar
Sem programar espantos e sentimentos
Na programação que exclui
Ingresso e bilheteria...
Em que se clica mecânica e intencional
Um mouse
Que dispensa ratoeiras e cuidados com o queijo
Esquecido sobre a mesa do jantar dos deuses
Que degustam refinados sabores artificiais
E se prostram passivos e estáticos diante da tela
Que não exibe um Renoir
Mas luz cegante do vídeo
Pra compor um poema sem falar do amor antigo
Ser moderno, atual, global, planetário e mundial
Há que desistir do particular, amante e amigo
Rever a inspiração limitada na emoção passional
Buscar a razão pura, na técnica lúcida e lógica
Fazer o inventário dos escritos de Cervantes
Vacinar o cavaleiro da triste figura e errante
Antes que Dulcinéia revele sua identidade robótica
E cause espanto em hora imprópria
Imprópria e ainda mais alucinante
Ser poeta na pós-modernidade
É compor versos vanguardistas da emoção virtual
Mundos imaginários ilusões de utopias
Não do amor irreal, mas projeção da nova era
Em que vãs tecnologias não superam
O que não deu conta
Dos mistérios entre o céu e a terra
Nossa vã filosofia

Quixote - pastel oleoso - Suê -1995 acervo pessoal.

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