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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Calamidade

Ela e a família tiveram que mudar as pressas... Um aviso de que a área seria tomada pelas alagações que se tornaram freqüentes no país onde habitam, os forçaram juntar seus pertences e não pertences e sair durante a noite, como ladrões que arquitetam um plano pra remover vestígios do latrocínio. Ao reunir tudo o que tinham antes de partir, encontram todas as marcas do tempo em que viveram naquele lugar, desde a arquitetura  que  definia suas particularidades, identidade de cada espaço ...Feito  escafandristas que mergulham em busca de resquícios do naufrágio, iam re-conhecendo cada  tesouro feito de relíquias,  preciosidades contextualizadas nos diferentes tempos de suas vidas...Se  mudaram pra uma casa vazia e mesmo ocupando-a de seus guardados ela ainda não acontecia...no esforço de se mudar de vez, ela foi visitar algumas vezes mais,  a casa deixada  para trás em razão da calamidade anunciada..Chegou diante dela e viu  que mantinha  na fachada os  indicadores de seu universo e poesia. Um aperto na alma a transportou... Ficou parada em vários cantos da casa por sabe-se lá quanto tempo... Esse abandono a que se encontrava agora a velha casa refletia o seu próprio, desde o momento em que decidira acreditar na calamidade anunciada e mudar. Agora estava ela em estado de calamidade em desconstrução pra re-iniciar a obra com as novas marcas e identidade da casa nova que já nascia como ela..de um estado de calamidade.

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