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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Saguão do cinema

Era um filme israelense...fui assistir naquela tarde onde as nuvens se espalhavam cobrindo o sol e sua luz...um clima europeu...de um quase prenúncio de inverno...mas era o Brasil tropical e sofrido em suas estações climáticas desajustadas, alteradas...Fui ao cinema...imagens de Israel e lugares vizinhos num desarranjo estonteante de imagens e situações...um manancial de emoções fertilizadoras da criação imagética...uma história inusitada...um corpo transportado para um sepultamento não autorizado...cômico-trágico...Ao sair do cinema ainda no saguão avisto uma mulher de meia idade na cadeira de rodas olhando a programação de cinema...aproximo-me me curvo, olho no rosto e sorrio perguntando-lhe...e aí alguma sugestão...o que vai assistir...e ela magra e delicada mãos finas e alongadas em seus cinqüenta e poucos anos sabe-se quanto deles ali sentada... devolve-me o sorriso e diz quase cantando voz sussurrada...vou ver este aponta o cartaz com as mãos...é do mesmo diretor de um outro que gostei muito...e você o que vai ver...e respondo: acabei de ver o israelense...mas pretendo voltar na 5ª. feira com uma amiga...talvez veja esse que sugeriu...novamente um sorriso que se mostra desacostumado em se abrir por inteiro...olho de novo pra ela, me imagino em seu lugar...observo nas mãos magras,brancas e lisas uma meia luva que deixavam nuas apenas as pontas dos dedos...senti vontade de tocar aquela mão, desnudá-la por inteiro...descobrir nela um anel um registro qualquer de felicidade naquela mulher de mais de meia idade e uma cara de saudade de dar dó...dó dela? Dó de mim?... Saudade do que ela pode ter sido? Do que fui? Resolvo presenteá-la e então invento pra ela tantas histórias e aventuras que a transporiam daquele lugar prisioneira...Ah que vontade de dizer a ela...tudo aquilo que me inspirava sua figura doce e trágica figura...Meu corpo estremece por inteiro controlo a vontade de abraçá-la pra poder ser abraçada no meu abraço pra ela...mas penso... ela jamais permitiria o abraço desconhecida ...sua condição a limita a essas espontaneidades e ímpetos que me assolam assim...na saída do cinema... após assistir a um filme israelense.

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