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domingo, 30 de outubro de 2011

Ciborgue eu?

As vezes me pergunto, o quanto nos aproximamos da possibilidade de nos tornarmos ciborgues, com essa nova cultura de interação com a máquina, traduzida em todo e qualquer tipo de tecnologia, hoje tomando parte em nossas vidas. Quando a solidão se reconfigura pelo fato de não nos sentirmos tão sozinhos ao saber  que do outro lado uma rede social integra nossa existência e podemos com ela interagir por meio da comunicação com possíveis outros desdobramentos. Face book, Face life, Face world. A solidão das pessoas solitárias só consegue tirar férias quando vai pro meio da cidade e se integra ao flash mob...encontro de tecno-humanos fingindo uma integração mais humana, facilitada pelo estar on line. A era digital nos trouxe a antropologia do ciborgue colocando-nos em uma espécie de vertigem do pós-humano, numa babel de culturas e perfis de relacionamentos, ao migrarmos para essa nova forma de nos comunicar, nos fazer ser e estar,  e até mesmo nos amarmos...Nos amamos on line, nos comprometemos e até vivemos juntos on line...com algumas pessoas ou situações vivemos mais juntos on line que presentemente... on line nos despimos de pudores, de mazelas que o toque físico materializado causa...nos evitamos on line...disfarçamos nossa presença on line, despistamos... nos escondemos on line quando não queremos ser pegos on line...nos tocamos on line...sentimos com palavras, inventamos grafias pontuações tudo nos dando o estar juntos..Essa nova forma de nos relacionarmos segue nos dando elementos para uma análise cultural que nos traz a imagem do ciborgue a problematizar os pressupostos do pensamento contemporâneo sobre subjetividade, tecnologia, ciência, gênero e sexualidade, colocando em xeque os mitos de origem, as nostalgias de restauração, as fantasias de unidade e totalização e os raciocínios teleológicos. Vemos a dicotomia que sedimenta o pensamento, mente e corpo, organismos e máquina, natureza e cultura...Borram-se, esfumando, diluindo as fronteiras entre humano e máquina, numa nova ontologia do sujeito humano. Tudo se mistura sem linhas demarcatórias sem fronteiras delimitadas... Até que ponto essa nossa relação com a máquina hoje nos aproxima ou nos torna ciborgue: essa relação ambígua e indeterminada a que nos impomos usuários dependentes do mundo virtual e seus conteúdos. A metáfora do ciborgue nos leva a desconstrução da subjetividade humana, ou até mesmo a como nos tornamos um: ciborgue...Ciborgue eu? Ciborgue o que inventamos? Ou ainda o que pensamos ser, enquanto não somos ainda? Já viu os e-mails hoje? Já visitou seu face? Já se encontrou com seu amor pra dar bom dia ou boa noite? Escolher o filme, planejar o encontro, matar a saudade...Qual é a sua primeira ação ao acordar? Se considera em processo de ciborguear? Sim ou Não?

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