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domingo, 23 de outubro de 2011

O mau não é ter uma ilusão, o mal é iludir-se

O mau não é ter uma ilusão, o mal é iludir-se
Naquela manhã clara orquestrada pelo vento instrumental, música sem letra pra ocupar a leitura dos significados... de dentro do âmago vem Saramago que gentilmente a acorda dos sonhos com suas geniais interpretações sobre a ilusão...que ela sem pressa retrata como seus artifícios de tornar a realidade sutil, revestida de existências surreais... Ilusões criadas, arquiteturas ainda não prontas pra serem edificadas e habitadas... arte em processo de conhecimento pelo criador...isso mesmo, esse arquiteto que se põe a conhecer a própria criação...pois ela extrapola sua razão e lógica...obra feita de material pouco usado e conhecido... inventação de personas e identidades que... para deixar de ser ilusão tem que ser viável e esta viabilidadde... por sua vez, e quase sempre, a sobressalta com voz de terror sussurrando... O mau não é ter uma ilusão, o mal é iludir-se. Com essa tese ela prossegue com as ilusões todas elas, tomando os cuidados para não se iludir tornando-as um mal. Acorda dos sonhos nesta manhã com ele ao seu lado, consolando-a pela ilusão ameaçada... Conversam, tomam chá amargo ela e Saramago... aromatizado apenas pelo néctar dos pensamentos, povoados de desejos de manter os sonhos intactos, ainda que a realidade os sobressalte a todo instante, em cada esquina da avenida, acostamento da rodovia, margem do rio, sentidos da experiência sobre o invento,inspiração a mudar de percurso... no espanto que lhe causa a ideia de iludir-se ao reconhecer o que se quer e, o que se tem... ilusão que pensa ter...iludida com o que está...no bem que significa a ilusão que tem, e no mal de iludir-se dela, nela, com e para ela. O mau não é ter uma ilusão, é iludir-se. O quão mal ela se encontra por estar iludida eis a incógnita desta manhã que arrasta a tarde pelos cabelos, a noite pelas lembranças e a ilusão pela vontade de não estar iludida mas de ter intacta a ilusão.

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