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sábado, 3 de setembro de 2011

Encontro em Viena

Estava mais uma vez diante do monumento ao menino prodígio da Áustria, fotografando o som que vinha do concerto ambiente...no hall uma fonte jorrava uma água que floria o lugar com seu perfume molhado refrescando os quase 40 graus naquela tarde de Viena na Áustria de Mozart. Sentei-me pra apreciar outro ângulo de olhar  então aproximou-se sentando-se ao meu lado um homem jovem saído do cartaz que informava  sobre o concerto da meia noite...trajado a caráter, delicado e belo dirigiu-se  a mim com mesuras de um nobre, pedindo pra ficar apreciando com o meu olhar a fonte...me veio um aperto de saudade misturado com felicidade e tristeza...olhei para ele e seu olhar sorriu docemente para o meu...eu desconfiava sobre quem era...mas queria perpetuar aquele momento de invenção e descoberta...Ele desviando-me da certeza...alimentando cúmplice de mim...a demora pela minha descoberta...continuava com o seu  olhar desarrumando tudo dentro de mim...eu já quase não tinha mais dúvidas mas ainda insisti...quem sabe não seja Vivaldi, afinal também nos conhecemos de certa forma...Ele continuava com seu olhar bailando nos lábios...Mozart veio em meu socorro elevando o volume de sua música, a água que floria da fonte jorrando pelo ar o perfume colorido me era  estonteante...o silêncio de dentro se fez ruído ensurdecendo a voz...e num grito mudo balbuciei seu nome dentro de mim e ele então abriu um sorriso largo e comprido, matreiro quase infantil saiu correndo me puxando e depois largando minha mão afundando-se no teatro escondendo-se provocando minha busca...logo vi que conhecia bem o teatro que descansava vazio a espera do espetáculo da meia noite com Mozart em pessoa. Desapareceu entre as cortinas de veludo pesadas, deixando uma pista balançando numa delas...Ele sabia que não tínhamos todo o tempo que queríamos pra que aquela busca fosse demorada e torturante o necessário para que o encontro fosse explosivo de aplausos da platéia que nos assistia dentro de nós...num leve toque nos tecidos que desciam feito cachoeira de cetim endurecido pelo tempo,  e vejo sua mão enluvada abrindo passagem para mim...vou até ele nos olhamos aproximando os lábios e falamos baixinho: Você aqui? Sim estava te esperando...Desde quando? Desde de sempre... Por que aqui e nesse personagem? Por que é o que você reconhece...E o que quer afinal? Ser apenas seu...Não sei como fazer isso fora de mim...Sabe sim, sabe como...pode se quer...serei  você em mim seu sempre Benjamin...

Um comentário:

  1. Vários foram os encontros em Viena, com Benjamin foi um deles. A música que povoa o ar da cidade imperial reproduz as mais intensas emoções nos poetas, escritores em mim...Encontar Benjamin foi um presente que não esperava tamanho seu significado...Vivaldi também esteve por lá de passagem, nos vimos rapidamente e lembramos aquela tarde no café e arte.

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