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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Thermas Budapeste

O calor escaldante de 40º , o desconforto impedindo a concentração e a motivação pra qualquer coisa nessa Budapeste que só se mostrará amarela quando anoitecer...durante o sol fica assim precisando de muitas mãos de tinta! O desânimo se acerca lembrando a melancolia que assolou a população no século passado levando aos altos índices de suicídio. Pelo que conheço desta que estou, procuro imediatamente algo pra fazer num outro lado desse pensamento. Fui visitar as famosas águas termais, especialmente a que aparece num dos filmes da trilogia encenada por Julliette Binoche mergulhando numa das piscinas. Sem intenção de nadar ou usufruir dos banhos, atravessei a pé a ponte, mais alguns quilômetros e cheguei no suntuoso edifício imperial que se desmancha do passado para acolher o mundo globalizado...arquitetura exuberante... colunas em mármore e granito. Devidamente identificada fui direto aos aposentos reservados ao público feminino. Uma névoa de vapor pairava por todo ambiente...as piscinas de vários formatos e tamanhos com diferentes temperaturas e muita mulher de toda parte do mundo: indianas, tchecas, americanas, alemãs, orientais, polacas, ...vestidas apenas a parte inferior outras, parte nenhuma, e também as que vestiam muitos panos, outras cobriam enrolando a cabeça deixando o corpo nu,...entrei devagar para conhecer e não pude deixar de tentar um mergulho mas a água embaçava tudo...me contentei em banhar-me, imaginei Binoche, vi o lugar, senti alegria e gratidão pela oportunidade de estar ali. Passei então a deleitar o olhar pelo ambiente, as pessoas seus motivos e sentimentos ali mergulhados com seus corpos...olhei pra elas, olhei pra mim...como é bom sentirmos quantas somos e como somos...mulher é a coisa mais linda que existe além dos homens igualmente lindos!Somos um bicho tão delicado e frágil...vendo assim despidos mergulhados indefesos os corpos...Mas preciso focar o pensamento desviado para todos os lados...Num movimento pra me acomodar meu olhar se detém ancorando nela recostada em uma das bordas da piscina mais quente...olhar perdido...sorriso ausente...corpo flutuando desprendido da mente...Não pude deixar de inventar sua história, precisava conhecê-la. Estava ali para um tratamento de saúde sofrera de um mal neurológico. Era escritora e seu talento a arrastara para uma obsessão pela escrita e busca de inspiração criadora desenfreada, caracterizando o que beirava a esquizofrenia... De um caráter fadado às paixões avassaladoras, tinha o hábito de inventar desejos e sonhos e criar para eles personagens que habitavam seu imaginário e completavam o perfil do ente por quem se apaixonara. E assim, esse ser, nem sempre preenchia todos os desejos sonhados para ele, que passava a ser composto por outro e outro... assim ela ia se perdendo no universo de personagens, cada qual com sua identidade, até enlouquecer-se neles e com eles...Esse mal lhe consumia até que um dia encontrou no ser por quem se apaixonara, sua igual personalidade...esta qual musa inspiradora, deu vazão e margem a inspiração que alimentava tresloucadamente a escritora, em sua paixão pela escrita... abrindo assim uma fina fresta de luz em sua passagem para o precipício...soltou-se qual musas de Matisse voando deitadas sem asas...envoltas em véus e plumagens...agora ela estava ali diante de mim, flutuando nas águas quentes...sonhando com você...comigo...com tantas musas outras inspiradoras...que nos habitam escritoras... enlouquecem deixando marcas das poesias...impressas, encadernadas com laços de fita... feito de pedaços e uns cem mil personagens cantando aos nossos ouvidos a canção da liberdade. Fiquei mais um tempo mergulhada no calor dos pensamentos quando me pego quase plena taquicardia a sorrir em direção daquela mulher que serena a flutuar se aproxima e me pergunta quase cantando na sua linguagem...como vai Benjamin? Só então percebi que estava com saudade e que ela era eu longe de casa...perto de mim...

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