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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Fotógrafos


No empenho de distrair as pessoas na enfadonha fila de espera para ouvir a palestra sobre história da segunda guerra e as peculiaridades de cada aliado nela envolvido contra o inimigo maior, ele ou ela, inventava histórias que se compunham com flashes dos registros oficiais acrescidos de suas invenções. Dizia que os dados oficiais podiam ser encontrados em qualquer livro de história, mas as suas invenções criativas... estas só poderiam acontecer na cabeça...na sua...na dele ou dela...Naquela tarde um grupo de intelectuais e artistas se reuniam num café próximo ao teatro onde estreava a exposição de um fotógrafo brasileiro que ainda não tinha nascido, Sebastião Salgado seria seu nome. Viviam-se tempos difíceis naquela época e o grupo de amigos acompanhavam em suas produções artísticas e intelectuais os sinais da guerra e da destruição do patrimônio cultural da região. Saído de uma ficção de espionagem, se junta a eles um sujeito desconhecido com informações importantíssimas sobre um novo ataque aéreo, no centro urbano. Alarmados tiveram uma idéia. Dirigiram-se ao fotógrafo expositor e pediu a ele que fotografasse toda a região, pagariam pelo trabalho, mas precisavam das fotos impressas. Sebastião concordou era jovem e precisava de um projeto novo para conseguir visto de permanência. Terminado o trabalho encontraram-se no mesmo lugar para receber as fotos. Foi de fato digno de autorização de permanência estrangeira. Passaram-se os dias, meses, Salgado voltou pra o Brasil pais onde deveria nascer por volta do ano1944 no estado de Minas Gerais. O bombardeio se deu por conta da ocupação nazista, 1939. Mais uma atrocidade que abalou Dresden a 100 km ao norte de Praga. A destruição do centro cultural foi plena. Restaurada a paz e os ânimos das pessoas inicia-se um amplo processso de reconstrução. Chamados os restauradores e historiadores da arte e cultura local, sociólogos e engenheiros... estava entre eles o grupo de amigos que se encontravam no café naquela tarde próximo ao teatro... onde expunha suas fotos Sebastião Salgadado que ainda não tinha nascido...O então novo projeto que garantiria seu visto de permanência foi útil como referência na reconstrução da cidade e Sebastião pode nascer tranquilo pois seria um fotógrafo internacional de sensibilidade voltada para as guerras, perseguições e o que restam delas. Abriram-se as portas da enorme sala e o palestrante já estava lá. Nos acomodamos e uma música suave ritmou o apagar das luzes deixando a penumbra em sépia ocupando os espaços. Inicia-se a projeção na tela: as fotos de Sebastião Salgado ilustrando a reconstrução do centro cultural de Dresden...Fiquei pensando...que história maluca! Como foi que isso veio parar aqui... O que uma enfadonha fila de espera pode gerar na mente criativa? Pra que servem afinal as filas de espera? E os fotógrafos...e os bombardeios? Pra que serve um texto sem pé nem cabeça senão para dar uma nova ordem ao percurso de idéias acomodadas ao lugar comum...ao percurso óbvio que se devia do foco da câmera do fotógrafo...

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