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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Raro efeito

Elas moram no mesmo lugar, mas pouco ou nunca se encontram, embora saibam da existência uma da outra, não se ouvem, nem se falam, mas, bem de longe uma delas a de um valioso ócio, observa sempre, tudo. São as palavras uníssono e unilateral. No dicionário ficam no mesmo endereço pela identidade da vogal inicial. Unilateral domina sempre, toda e qualquer cena  daquela, sempre igual. unilateral se faz marcar em cada encontro na frase se esbarrando nas expressões que não chegam ser palavras por não terem tempo de se formar... apenas, ruídos, barulhos, sons sem indefinidas, sussurradas na respiração, compostas pelos movimentos do corpo inteiro, denunciando a presença de vida na frase. Esses barulhos, por amizade e adesão, trazem com elas a bilateral...grande ameaça para unilateral que teme, num deslize de atenção e respiração, ser substituída, pela frase de raro efeito, cuja luta na parceria bilateral era não repetir o sempre igual . Atenta unilateral vigia e cerca as entradas e saídas, expulsando bilateral de suas linhas e pontos de sentidos feitos de sons e gestos nas palavras que compõem sua cena de rigor unilateral.    Uníssono por sua vez, guarda-se para manter-se raridade, artifícios de ser especial... desejada, perseguida pela criatividade, aliada pra ser construção lenta e gradual na frase de sentidos em uníssono. Esta porém, muito deve conhecer de seus propósitos, sentidos e significados, para tê-la em sua composição...uníssono exigente de seu emprego, pertinência e clareza...recusa arremedos e não aceita ser confundido ou admitir que seja concorrente da bilateral. Defende em todos os fóruns que não possui parentesco algum, e menos ainda um sentido igual. Em suas arguições reconhece bilateral e seus objetivos de fazer a frase de efeito que segundo bilateral, para fortalecer sua luta e argumento, afirma que a frase de efeito traz na matriz os sentidos em uníssono...Nem assim ele se convence, e afirma que para ter uníssono é preciso descartar unilateral com tudo que o acompanha, bilateral inclusive, pois não combinam jamais em suas reticências. Já era hora...ela havia lido a exaustão na tarde e noite daquele dia, revisões e construções de textos, arguições pra bancas examinadoras, papel de carrasco no julgamento do texto, sonho de alguém pra ser doutor...titulado. Precisava dormir... imaginou um lugar apropriado pros pensamentos que navegavam seu rio semiótico. Fechou o dicionário aberto na letra u  de urgente e viu ainda uníssono ocupando suas horas de ócio na madrugada a observar distante, unilateral em seu dueto desencontrado da bilateral, para a manter seu domínio, perseguindo-a, afugentando-a incansável... bilateral sai cabisbaixa da cena quase exaurida, dolorida sem aquela massagem merecida... toma relaxantes e dorme, sempre que pode,  pra reunir forças e enfrentar unilateral na próxima esquina do texto. Ela então apaga as luzes, despede-se agradecida a existência das palavras e seus presentes delicados e vai se deitar ensaiando uma invenção de uníssono sentimento.

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