Follow by Email

Total de visualizações de página

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Temporal


A tempestade veio chamada em caráter excepcional... o céu estava estrelado, a lua envolta em seu xale de fios prateados...a música tocava em tudo...sons repletos de textos palavras que falavam de tantos assuntos... expressões...instrumentos falantes...palavras dadas de presente...desafio num caça as vogais...sons abertos...sensuais...Noite calma...nenhum sinal prenúncio de temporal...serenidade...silêncio na casa ...expectativa...eis uma palavra cheia de vogais...nela a contemplação: mais um ato de magia...aurora boreal de novo ela...falta de idéia? Não!!! falta de vogais...Num ritual da arte, essa lei da dor transformada em prazer...criação na inspiração esculpida na pele, deslizando macia, úmida e perfumada nas mãos do escultor...e traz com ele outro... torneando em argila derretida a mulher em plena feminilidade, ventre cheio de vida...sem cabeça pra pensar na dor do parto...um prêmio...uma lembrança delicada de um tempo de artista em hora imprópria mas desejada...vida acadêmica...vida de tudo de nada desenfreada... na tempestade que agora é chamada a compor a sonoplastia da noite calada...mais uma de tantas editadas... inspiração, empreendimento artístico movido pela solidão que promove o encontro consigo mesmo no silêncio do caos, companhia da ansiedade alimentada de fruta fresca, palavras isoladas construindo imagens da tempestade. Natureza convocada pra ser fundo musical do espetáculo da noite prometida de ser silenciosa, calma, repleta de tudo no nada...desordenada. Mais um filme que invento pra ter assistido sem saber o nome, sem ver o começo e sem calma pra ver o final...na verdade não vou ao cinema e não vejo tevê...o filme? Invento com minha mente operária... o enredo um padrão que persigo...com pedaços que descubro de coisas que vi em Paris, Berlim, aqui mesmo em torno dos bonsais, imagens que coletei acervo de Sebastião Salgado, coisas que me contam no intervalo da reunião de trabalho,ou que eu leio em Saramago, em fim que invento com minha mente operária fora de padrão...só me lembro da porta se abrindo pro filme passar...o perfume...a água deslizando sonora pelo chuveiro...corpo molhado...sorriso deitado esticando de um lado...espera a tempestade pra festejar, ruídos tenebrosos metem medo e tiram da noite aquele meloso e derretido estado de tudo perfeito na ausência do caos...

Nenhum comentário:

Postar um comentário