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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Princesa

Percorria a galeria dos clássicos da pintura em busca de Rembrandt... sabia que ela estaria lá. Passava veloz pelos enormes monumentos, cenários, pinturas dos séculos XIV, XV, XVI...deixando-as desapontadas com sua pressa e falta de atenção. Meio que a pedir desculpas lhes dizia ofegante: estou a procura de alguém e não tenho a menor idéia de como encontrar...não reconheço esse lugar...marcamos aqui como parte de uma invenção nossa...temo ter exagerado no grau de dificuldade que criamos naquela quarta feira que teimava ser quinta. Não posso voltar sem vê-la...nos prometemos. E então as meninas de Velásquez em sua pureza infanto-juvenil, quase em coro: Nós a vimos... está a sua procura. E então, com o ar faltando no coração e o pulmão batendo desritmado frenético perguntou-lhes...qual é a direção?Onde a viram... podem me dizer? E as meninas respondem: Não podemos... lembra...vocês fizeram assim...Mas vão se encontrar e verá finalmente nela... a que busca há tanto tempo em sí mesmo...Continuou...mal sentia o corpo que deslizava como nesses patins que usam nos shoppings os repositores de mercadorias ...e então... a música penetrou com sua luz suave a dançar...Viu-se de repente em um enorme saguão , virou-se levitando quase congelando aquele momento pra ser eterno...a viu movendo-se em sua direção...suave...doce olhar de saudade contida na espera...gestos delicados, aproxima irreal...segura com as mãos delicadas seus ombros posicionando-o frente a ela...olha-o dentro dos aposentos mais secretos do ser... desnudando um sorriso que desemboca no esfuziante riso e o tomba feito árvore ao vento em tempestade...se abraçam e saem...busca de lugar para deitar o riso...matar a saudade sem pressa... com tempo pra conhecer melhor Rembrandt, Velásquez, Renoir,...mestres fazedores de princesas reais.

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